
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira (30) a liberação de R$ 13,5 bilhões em recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) para financiar companhias aéreas brasileiras. A maior parte do montante, R$ 8 bilhões, será destinada a linhas de capital de giro para empresas do setor.
O crédito terá prazo de pagamento de até 60 meses, com carência de 12 meses e juros fixos de 4% ao ano. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a medida busca dar suporte financeiro às companhias diante do aumento dos custos operacionais, especialmente com o combustível de aviação.
“Estamos dando linhas de crédito para as aéreas atravessarem guerra no Irã”, afirmou Mercadante, ao destacar os impactos da instabilidade internacional sobre o setor.
Além da linha de capital de giro, outros R$ 5,5 bilhões poderão ser utilizados para financiar a aquisição de aeronaves nacionais, serviços de manutenção de aviões e motores, equipamentos de apoio e projetos ligados ao combustível sustentável de aviação (SAF).
Entre as empresas que poderão acessar os recursos estão Azul, Gol, Latam e a Abaeté Táxi Aéreo. De acordo com o BNDES, a contratação das linhas poderá ser feita até dezembro de 2026.
Mercadante afirmou que as companhias brasileiras passaram por forte impacto durante a pandemia e, posteriormente, enfrentaram a elevação dos custos provocada pela alta do querosene de aviação. Segundo o presidente do banco, empresas aéreas de outros países receberam aportes públicos durante a crise sanitária, enquanto as brasileiras não tiveram o mesmo tipo de apoio.
“Não tem sentido reestruturar os aeroportos se você não garantir que os aviões tenham as rotas, ampliem os destinos e tragam mais passageiros”, disse.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, afirmou que o financiamento busca preservar a sustentabilidade financeira das empresas e garantir a continuidade do transporte aéreo no país. “A aviação civil é uma necessidade do Brasil, pelo tamanho do país, pelo número de cidades, pelo número de habitantes”, declarou.
A linha de crédito foi autorizada a partir das regras estabelecidas pela Lei nº 14.978/2024 e regulamentada por medida provisória publicada em 2026. O objetivo é reduzir os efeitos do aumento dos custos operacionais sobre a malha aérea nacional, a manutenção de empregos e a oferta de voos.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, afirmou que os recursos reconhecem a importância estratégica da aviação para a economia. Segundo ele, o setor contribui para a integração nacional, geração de empregos e expansão do turismo.



