
O Vitória voltou a fazer do Barradão o palco do improvável e repetiu a fórmula para conquistar mais uma virada heroica na Copa do Brasil. O 4 a 0 sobre o Athletico-PR na noite da última quinta-feira, que reverteu uma derrota por 2 a 0 no jogo de ida, reforçou o lado inexplicável do Rubro-Negro em seu estádio, que obriga o futebol a obedecer roteiros mágicos.
Aliás, por mais mágicas que pareçam as viradas do Barradão, elas têm, sim, explicações. A confiança que elenco e torcida trocam entre si no estádio tem feito com que qualquer tarefa pareça possível e que qualquer adversário se sinta acuado. O 4 a 0 desta noite é o dobro do placar conquistado contra o Flamengo, que já parecia o limite do heroísmo.
O Vitória tem 75% de aproveitamento no Barradão em 2026 e é um dos melhores mandantes na Série A. Na Copa do Brasil, foi o estádio que carregou nas costas a equipe depois dos golpes nas derrotas nos jogos de ida contra Flamengo e Athletico-PR. Entre uma eliminatória e outra, foi lá que o time virou sobre o Fortaleza para ser campeão da Copa do Nordeste.
Foi só a segunda vez em nove tentativas que o Vitória avançou na Copa do Brasil depois de perder por dois gols no jogo de ida. Renê e Erick, que marcaram nesta quinta, viviam jejuns de sete partidas sem gols. Marinho, autor do gol da festa, não marcava há mais de um ano, desde antes de voltar a vestir vermelho e preto. O Vitória passou os últimos quatro jogos sem fazer gols e vinha de três derrotas consecutivas. Prognósticos transformados em pó pelo Barradão, quase implacável em 2026.
O campo
A classificação também foi uma recompensa ao all-in de Jair Ventura na escalação inicial. O treinador apostou no 4-2-4 com dobradinha de Renê e Kayzer e retorno de Erick ao time titular, longe dos trios de zagueiros e volantes dos dois últimos jogos.
O sufoco inicial dos mandantes entrou em sintonia com as arquibancadas e se transformou no tão sonhado gol nos primeiros minutos. Renê contou com rebote de Santos para abrir o placar aos 11 e começar a tirar o sonho do papel.
O time de Jair Ventura não criou muitas chances com a posse e sofreu com contra-ataques, sobretudo de Viveros, mas Cacá trabalhou bem para neutralizar o atacante. Apesar dos contragolpes perigosos, Arcanjo não precisou fazer nenhuma defesa no primeiro tempo.
Em mais uma demonstração de que as noites de Copa do Brasil seguem roteiros heroicos no Barradão, o gol que empatou o placar agregado foi uma chapada de Erick de fora da área. O mesmo roteiro do gol que igualou o agregado e abriu os caminhos contra o Flamengo, na fase anterior, e de tantos outros gols do atacante no estádio rubro-negro.
Do improvável ao previsível

Não demorou para que o Vitória também marcasse no início da segunda etapa e finalmente tomasse para si a vantagem. Logo depois do sufoco com três grandes defesas consecutivas de Arcanjo em escanteios, Renê voltou a aproveitar falha de Santos e fez o Rubro-Negro começar a ver o horizonte atrás da montanha que havia escalado.
O terceiro gol derrubou o Athletico-PR em todos os sentidos. Os visitantes perderam ânimo, e a confirmação da virada já parecia iminente. Nos acréscimos, o último ato. Fabri fez boa jogada pela direita e serviu Marinho, que soltou uma bomba e também o peso da espera pelo primeiro gol no retorno ao Vitória. Se a classificação já era improvável, um placar com folga ultrapassava esses limites, que o Rubro-Negro tanto se recusa a seguir na Copa do Brasil.
O título da Copa do Brasil está longe de ser uma meta realista para o Vitória, mas a campanha rubro-negra até aqui também não está mais perto do sonho do que da realidade? O próximo adversário será conhecido em sorteio na próxima terça-feira. Antes disso, no domingo, o Vitória visita o Flamengo, no Maracanã, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.



