Vitória de Lula provoca queda de até 27% em ativos brasileiros no exterior

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

A vitória de Lula (PT), anunciada na noite de ontem (26), foi seguida por fortes quedas de ativos brasileiros negociados no exterior. Em Nova York, um ETF (fundo de investimento negociado em Bolsa que acompanha um índice ou uma cesta de ativos) ligado a ações brasileiras recuou 27% no pré-mercado. No Japão, um fundo semelhante caiu 15%, a maior perda em um único dia desde 2008.

No mercado de câmbio, um contrato de derivativos negociado na CME indicava o dólar a R$ 5,55, sinalizando uma possível desvalorização do real superior a 10% em relação ao fechamento de sexta-feira (23). O indicador não corresponde à cotação à vista.

Entre as empresas com operações no Brasil, XP e Itaú Unibanco recuaram pelo menos 26% no início das negociações nos Estados Unidos. Banco Santander e Telefónica registraram quedas superiores a 5%.

Em São Paulo, mesas de operações ouvidas pelo jornal O Globo esperavam que a pressão vendedora pudesse levar ao acionamento de circuit breakers na abertura da Bolsa brasileira.

O mecanismo suspende temporariamente as negociações quando o Ibovespa atinge determinados níveis de queda: recuo de 10% provoca uma interrupção de 30 minutos; se o índice atingir 15% após a retomada, há nova suspensão por uma hora. Com queda de 20%, a B3 pode determinar a duração da paralisação.

Antes da divulgação do resultado, a corretora Monte Bravo estimou que o Ibovespa poderia cair 11% na primeira hora de negociação caso Lula vencesse. Em pesquisa do Citigroup com 73 investidores, publicada na sexta (23), a maioria previa desvalorização de pelo menos 5% do real e alta superior a 1 ponto percentual nas taxas de swap.

A expectativa estava associada à reversão de apostas em cortes de juros, que haviam aumentado após Flávio Bolsonaro superar Lula no 1º turno, no início deste mês.

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