Tarifaço pode elevar custos do agro, mesmo para produtos isentos
Redação Fatos em Pauta
julho 22, 2026
10:17 am
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Máquina agrícola no campo. (Foto: Agência Brasil).
Embora parte importante das exportações brasileiras do agronegócio tenha ficado de fora do tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos, o setor não está livre dos efeitos da medida que entra em vigor nesta quarta-feira (22).
Ao Diário do Poder, o advogado especialista em Direito do Agronegócio e CEO do João Domingos Advogados, Dr. Leandro Marmo, alerta para uma série de impactos indiretos capazes de elevar os custos de produção e reduzir a competitividade do agro brasileiro.
Segundo o especialista, a isenção concedida a diversos alimentos e commodities estratégicas não representa uma garantia de estabilidade para o setor.
“Existe uma percepção de que os produtos isentos estão protegidos, mas essa leitura é incompleta. O agronegócio funciona dentro de uma cadeia global altamente integrada. Quando uma potência econômica altera suas regras comerciais, os reflexos atingem toda a cadeia produtiva, inclusive quem não foi diretamente tarifado”, explica.
De acordo com Marmo, um dos primeiros reflexos deve ocorrer na logística internacional. A reorganização das rotas marítimas e do fluxo de cargas tende a aumentar os custos de frete, armazenagem e seguros, pressionando a margem de lucro dos exportadores brasileiros.
“O produtor pode continuar vendendo para o mercado americano, mas pagará mais caro para colocar sua produção no navio. São custos invisíveis que acabam reduzindo a rentabilidade da operação”, afirma.
Outra preocupação recai sobre os insumos empregados na produção agrícola. O especialista destaca que o agronegócio brasileiro depende significativamente da importação de fertilizantes, defensivos agrícolas, tecnologias e equipamentos. Em um ambiente de maior volatilidade cambial e de reorganização das cadeias globais de suprimentos, esses itens tendem a ficar mais caros.
“O aumento do dólar e os impactos sobre a indústria mundial podem encarecer fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas e peças de reposição. Ou seja, mesmo quem exporta produtos isentos poderá enfrentar uma elevação expressiva dos custos dentro da porteira”, ressalta.
Diante desse cenário, Leandro defende que produtores, cooperativas e empresas do setor reforcem o planejamento financeiro e adotem medidas preventivas para reduzir riscos.
“Mais do que nunca, será necessário revisar custos, utilizar instrumentos de proteção cambial, negociar fretes com antecedência e buscar novos mercados consumidores. A competitividade do agronegócio dependerá da capacidade de gestão diante desse novo ambiente de comércio internacional”, avalia.
Para o especialista, o atual cenário também reforça a necessidade de ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados como Ásia, Oriente Médio e América Latina, diminuindo a dependência das decisões comerciais de um único parceiro.
“O tarifaço mostra que o produtor rural precisa olhar além da alíquota de importação. A verdadeira disputa será pela eficiência na gestão dos custos e pela capacidade de proteger a rentabilidade diante das mudanças no comércio global”, conclui.
Dr. Leandro Marmo. (Foto: Divulgação).
Veja abaixo os produtos que estão fora do tarifaço:
Produtos de origem animal e carnes
Carne bovina: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada; carcaças; meias-carcaças; cortes com e sem osso; cortes de alta qualidade; carnes processadas.
Miudezas e preparados: línguas; fígados; outras miudezas bovinas; carne preparada ou preservada, como corned beef.
Peixes e crustáceos: tilápia (fresca, refrigerada ou congelada, exceto filés em alguns casos); atum albacora e patudo; cavala; espadarte; lagosta; lagostins-do-mar.
Outros produtos de origem animal: mel natural orgânico certificado; coral; conchas.
Produtos vegetais e alimentos preparados
Hortaliças e legumes: tomates (com períodos específicos de entrada); jicama; fruta-pão; chuchu; brotos de bambu; castanhas-d’água; alcaparras; cogumelos secos (orelha-de-pau e shiitake).
Fertilizantes: fertilizantes de origem animal ou vegetal; ureia; sulfato de amônio; nitratos; superfosfatos.
Materiais industriais
Plásticos e borracha: polímeros de etileno, propileno e vinila; silicones; tubos; mangueiras; pneus (especialmente para aeronaves); juntas.
Madeira e papel: madeira em bruto ou serrada (mogno, teca e meranti); compensados (plywood); painéis; pastas de madeira; produtos de papel para aeronaves.
Metais, máquinas e equipamentos
Metais: ferro fundido; ferroligas; sucata; tubos de aço; cobre; níquel; alumínio; zinco; estanho; metais raros.
Máquinas: motores de aeronaves (turbojatos e turbopropulsores); bombas; compressores; ventiladores; aparelhos de ar-condicionado; refrigeradores; extintores.
Informática e eletrônicos: computadores e unidades de processamento de dados; notebooks; teclados; unidades de disco; circuitos integrados; monitores; projetores; smartphones.
Aeronaves, instrumentos e outros produtos
Aeronáutica: balões; helicópteros; aviões; drones; hélices; trens de pouso.