
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) aponta que Fábio Ribeiro, preso na terça-feira (18), conduzia o veículo usado para perseguir o carro em que estava a nutricionista Larissa Pavan de Assis, morta a tiros em dezembro de 2024, em Guarajuba, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Segundo a denúncia, o comparsa dele, Marlon Ribeiro dos Santos, estava no banco do passageiro e foi o responsável pelos disparos.
A investigação reuniu elementos para apontar que Fábio estava ao volante no momento da perseguição a partir de informações e imagens de monitoramento da rodovia onde o crime ocorreu. Isso porque dados de vigilância da BA-099 mostram que o Corolla das vítimas passou por um ponto da rodovia às 19h39 e, três segundos depois, o Jeep usado pelos suspeitos foi registrado no mesmo trecho.
Para o MP-BA, a motivação do crime teria sido uma tentativa de ultrapassagem. A denúncia classifica a ação como homicídio qualificado por motivo fútil e pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além da morte de Larissa, os acusados são denunciados por quatro tentativas de homicídio contra as demais pessoas que estavam no Corolla.
“Destaca que realizar disparos de arma de fogo no veículo em que estavam as vítimas, desconhecidas, por mero aborrecimento, decorrente de uma tentativa de ultrapassagem, revela conduta desproporcional, demostrando motivação fútil”, apontou o MP. “E surpreender as vítimas e emparelhar o automóvel, mantendo curta distância, e em seguida efetuar disparos, sem qualquer comunicação anterior, denota recurso que dificultou a defesa dos ofendidos”, completou a denúncia.
Cronologia do crime
A acusação descreve que Fábio e Marlon agiram juntos na noite de 7 de dezembro de 2024, na BA-099, nas proximidades do Condomínio Summer House Genipabu. Larissa estava em um Toyota Corolla com três familiares e o motorista de aplicativo Valdiney Araujo da Paz Junior, que havia aceitado uma corrida pelo aplicativo 99 com saída do Salvador Norte Shopping, em São Cristóvão, e destino a Guarajuba.
De acordo com o MP-BA, o grupo havia passado do acesso ao condomínio e o motorista precisou fazer um retorno. Foi nesse momento que o Jeep Renegade branco ocupado por Fábio e Marlon teria se aproximado em alta velocidade, emparelhado com o Corolla e efetuado pelo menos dois disparos. Um dos tiros atingiu Larissa na cabeça e provocou traumatismo cranioencefálico.
Ainda segundo o Ministério Público, o veículo dos acusados chegou a atingir 92 km/h, além de passar pelos radares a 78 km/h e 72 km/h em sequência, enquanto a velocidade permitida na via era de 60 km/h. Para a acusação, os registros são compatíveis com a aproximação do Jeep, os disparos e a fuga logo depois do ataque.
A perícia no Corolla encontrou dois pontos de impacto de arma de fogo. O exame indicou que o atirador estava ao lado direito do veículo das vítimas e a aproximadamente 1,42 metro de distância. A dinâmica, segundo o MP-BA, reforça a versão de que Marlon efetuou os disparos enquanto Fábio conduzia o carro.
As investigações também identificaram os dois suspeitos momentos antes e depois do crime. Às 18h47, Fábio e Marlon estavam na Praia do Forte, em Mata de São João, conforme dados de quebra de sigilo telefônico e imagens de uma câmera de reconhecimento de placas que registrou o Jeep.
Poucos minutos após o ataque, às 19h44min35s, Fábio foi identificado como condutor de um veículo na entrada do Condomínio Canto de Arembepe. Entre 19h48 e 20h17, os dois acusados também teriam utilizado o mesmo endereço de IP e permanecido na mesma localização geográfica, de acordo com os dados reunidos na investigação.
Prisões
Fábio Ribeiro se entregou na Polinter, em Salvador, no final da tarde desta terça-feira (18). Ele tinha um mandado de prisão em aberto e estava foragido desde o crime. O suspeito integrava o Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), onde aparecia como o “3 de Espadas”.
Marlon Ribeiro dos Santos, apontado pela investigação como o homem que efetuou os disparos, foi preso em junho deste ano. Conhecido como “Nove de Ouro” no Baralho do Crime, ele foi localizado em uma residência na região de Abaís, no litoral sul de Sergipe. Em julho de 2025, outro homem já havia sido preso por suspeita de envolvimento no assassinato de Larissa.



