
O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, classificou como “perseguição política” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o proibiu de deixar o Brasil.
“Até um cego vê que trata-se de uma perseguição política”, afirmou Pimenta em publicações nas redes sociais nesta terça-feira (27).
O dirigente também questionou a aplicação das medidas judiciais no caso e citou as investigações que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em uma publicação, argumentou que a apreensão de documentos deveria alcançar outras pessoas que tiveram relações com Vorcaro.
“Mundo da fantasia. Se pedissem o passaporte de todo mundo que se envolveu com Vorcaro, inclusive do PT, que sai com prostitutas e faz superfaturamento, precisaria alugar um prédio em Brasília para guardar os passaportes. Flávio Bolsonaro não foi condenado de nada disso. É uma questão política e nada mais. Cadê o passaporte do Alexandre de Moraes?”, indagou.
Flávio não entregou os passaportes à Polícia Federal (PF) dentro do prazo fixado por Moraes, encerrado às 11h de terça-feira. A corporação cancelou os documentos. O senador é investigado em inquéritos que tramitam no STF, mas não foi condenado nos casos mencionados.
Dirigente afirma que STF exerce “ditadura”
Rui Costa Pimenta também criticou a atuação do Supremo e a relação entre a Corte e o governo Lula. O presidente do PCO afirmou que o partido defendeu voto nulo no segundo turno por considerar que votar no presidente Lula (PT) significaria também apoiar o STF.
“O STF exerce aqui uma ditadura, todo mundo sabe disso. E na realidade, nós estamos vendo a continuidade da ditadura. Muita gente estranhou que a gente votasse nulo, entre o Flávio Bolsonaro e o Lula. A ação de Moraes contra Flávio é uma demonstração de por que a gente não tinha condições de votar no Lula. Porque votar no Lula era também votar no STF.”
Após ser criticado nas redes sociais por supostamente defender o senador do PL, Pimenta rebateu que sua posição se refere à defesa de direitos políticos. Segundo ele, está “defendendo interesses democráticos do povo”.
Em outra manifestação, o dirigente relacionou as medidas contra Flávio à votação obtida pelo senador e à composição do Congresso Nacional. Para Pimenta, o resultado eleitoral daria ao parlamentar força para articular pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Flávio deixou o Brasil após ordem judicial
A manifestação do presidente do PCO ocorreu após a decisão de Moraes que determinou a entrega dos passaportes e proibiu Flávio de sair do país. Segundo informações divulgadas pela Reuters e por aliados do senador, ele seguiu para os Estados Unidos depois da derrota na eleição presidencial.
A medida judicial está relacionada a uma investigação que envolve o advogado Willer Tomaz. Flávio também é investigado em outro inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O STF não havia respondido, até a publicação da reportagem original do Poder360, ao pedido de manifestação sobre as declarações de Rui Costa Pimenta.



