PF investigou até diálogos de ex-assessor de Moraes com seu advogado

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|Foto: Pedro Ladeira

O delegado disse que o objetivo era verificar se o advogado e Tagliaferro participavam de uma “organização criminosa” com “objetivo comum”.

O próprio delegado, porém, afirma que não foram encontrados indícios de que eles cometeram crimes. No relatório não é juntado nenhum diálogo entre os dois, mas a PF encaminhou em anexo a íntegra das conversas.

Moraes autorizou a quebra de sigilo entre advogado e cliente em 29 de novembro do ano passado. Segundo o delegado do caso, os diálogos foram encontrados no celular do ex-assessor que foi apreendido pela PF no dia em que Tagliaferro prestou depoimento. O conteúdo só foi analisado após a PF solicitar e Moraes autorizar a quebra de sigilo.

 Até mesmo os áudios enviados entre os dois por WhatsApp estão disponíveis a qualquer um com acesso ao sistema do tribunal. As conversas mostram orientações e alinhamento de estratégias de defesa.

O ex-assessor nega o vazamento. Sua defesa disse que “ele reitera, categoricamente, que não foi responsável pelo suposto vazamento. Esperamos que a Douta Procuradoria-Geral da República possa verificar a fragilidade da investigação e não acolha as ilações contidas no relatório policial”.

Advogado fala em acionar OAB. 

“Estou cogitando de acionar o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil para tomar providências, considerando que não consta dos autos o pedido e a decisão que autorizou a violação das minhas prerrogativas profissionais, envolvendo a comunicação entre cliente e advogado”, diz o defensor Eduardo Kuntz.

A OAB considerou ação ‘inaceitável’ e disse que vai acompanhar caso.

 “O sigilo profissional é uma garantia constitucional, essencial para o livre exercício da advocacia e para a preservação do direito de defesa no Estado Democrático de Direito. É inadmissível que conversas protegidas por prerrogativa profissional sejam acessadas ou utilizadas sem a devida fundamentação legal. A OAB acompanhará o caso com atenção redobrada e adotará todas as medidas cabíveis para assegurar que o sigilo das comunicações entre defensor e representado seja integralmente respeitado.”

Fonte: UOL

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