Lula diz que Igreja Católica perde espaço por manter celibato

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) atribuiu nesta quarta-feira (16) parte da perda de espaço da Igreja Católica no Brasil à manutenção do celibato e às restrições para mulheres ocuparem funções religiosas. A declaração ocorreu durante encontro com lideranças evangélicas brasileiras, norte-americanas e cubanas no Palácio do Planalto.

Ao falar sobre as diferenças entre as duas tradições religiosas, Lula disse que já havia defendido mudanças no catolicismo em conversa com o papa Francisco.

“Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que mulheres possam ser bispos, padres, a gente vai ver Igreja Católica passando dificuldade.”

Na avaliação do presidente, a possibilidade de mulheres ocuparem posições de liderança seria uma vantagem das igrejas evangélicas.

“Mulheres são tratadas em igualdade de condições. Isso faz com que tenha crescido tanto no Brasil”, afirmou.

Os dados do Censo 2022 mostram uma redução da proporção de católicos e crescimento da parcela de evangélicos no país, mas não estabelecem uma relação entre essas mudanças e as regras citadas por Lula. Segundo o IBGE, 56,7% da população brasileira com 10 anos ou mais se declarou católica em 2022, ante 65,1% em 2010. Entre os evangélicos, a proporção passou de 21,6% para 26,9% no mesmo período.

Lula diz que não faz política em igrejas

Durante o encontro, Lula também afirmou que não pretende realizar discursos políticos dentro de templos religiosos. Segundo ele, a decisão está relacionada ao respeito à fé dos fiéis.

“Não me convide para ir numa assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem da católica, nem da evangélica. Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço”, disse.

O presidente afirmou ainda que considera a relação individual das pessoas com a religião um espaço que deve ser preservado.

A aproximação com lideranças evangélicas ocorre durante a campanha eleitoral de 2026. No encontro, Lula também disse que pretende contar com a colaboração das igrejas em uma política voltada à população idosa caso permaneça no governo no próximo ano.

“Nós vamos precisar muito das igrejas no ano que vem.”

Segundo Lula, a proposta deverá contemplar idosos que enfrentam isolamento social, com iniciativas voltadas à convivência e à realização de atividades de lazer.

Encontro no Planalto

A reunião foi articulada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e contou com a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva. Também esteve presente o advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico.

Durante sua fala, Messias declarou ter orgulho de atuar no governo como cristão e afirmou que o país precisa preservar os templos como espaços religiosos.

“Eu tenho muito orgulho de, como evangélico, como cristão, servir ao meu país sob sua liderança. Não é fácil.”

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