
O deputado federal e senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) publicou em suas redes sociais, nesta quarta-feira (28), vídeo do debate do segundo turno entre lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band em 18 de outubro, no qual o presidente reeleito ameaça o adversário que ele deve se “preparar” porque, no dia 25, perderá a imunidade parlamentar e “vai ter problema”, pois “sua vida tem muito inquérito que agora vai andar”.
No post, van Hattem pergunta se o público “agora entende” por que a PF, sob o governo de Lula, agiu com essa celeridade após a confirmação do resultado. A publicação, que inclui o trecho do debate, acumula milhares de curtidas e compartilhamentos e se insere no debate sobre a natureza das medidas cautelares tomadas contra o candidato derrotado.
A defesa de Flávio e aliados têm classificado a sequência de atos como perseguição política, enquanto o governo e o STF sustentam que as medidas se baseiam em investigação criminal em andamento e no risco de fuga apontado pela PF.
A fala completa, amplamente noticiada à época, foi: “Você se prepare que dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar. Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar”.
Van Hattem relaciona a declaração à sequência de fatos ocorridos após a eleição. Segundo O Globo (coluna de Malu Gaspar), a Polícia Federal solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a apreensão dos passaportes de Flávio apenas sete minutos depois de o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar matematicamente a vitória de Lula, às 21h09 de domingo (25). O pedido da PF foi protocolado às 21h16. Moraes atendeu a representação ainda naquela noite, sem consulta prévia à Procuradoria-Geral da República, determinando a entrega dos documentos brasileiros e de outras nacionalidades, o cancelamento dos passaportes emitidos pelo Brasil (incluindo o diplomático) e a proibição de Flávio deixar o país.
A medida ocorreu no âmbito de investigação da PF sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. A corporação citou, entre outros pontos, indícios de que o senador seria “usuário master” de conta de empresa mantida por Tomaz no exterior, apesar de a instituição financeira haver negado isso formalmente na manhã de domingo, segundo revelou o senador Rogério Marinho (PL-RN), e uma declaração de Eduardo Bolsonaro, em podcast, de que, se fosse o irmão, sairia do Brasil caso perdesse a eleição. Flávio não cumpriu o prazo de entrega dos passaportes e, posteriormente, deixou o território brasileiro com a família, utilizando passaporte italiano (cidadania reconhecida em 2023) para entrar na Argentina pela fronteira seca e seguir de jatinho particular até Miami.



