
A TV Globo cancelou o debate presidencial que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º), depois que o presidente Lula (PT) e o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desistiram de participar do encontro. O programa estava marcado para as 21h30 e seria o último confronto entre os presidenciáveis antes do primeiro turno, no domingo (4).
“A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia. Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais”, diz a nota da emissora.
Lula havia comunicado à emissora que não participaria do debate e, no mesmo horário, participaria de uma entrevista ao podcast Flow. A desistência de Flávio ocorreu horas antes do programa, depois de uma sequência de decisões judiciais que alterou as regras e a composição do encontro.
Em publicação nas redes sociais, Flávio afirmou que sua decisão estava relacionada à atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu.
A manifestação ocorreu após a ministra do TSE Estela Aranha suspender uma regra que permitia à Globo exibir de forma destacada o púlpito reservado a um candidato ausente. A decisão também impediu a dinâmica que permitiria aos demais participantes formular perguntas diretamente ao presidenciável que não comparecesse.
Gilmar determina entrada de Renan
Pouco antes da desistência de Flávio, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Globo assegurasse a participação de Renan Santos (Missão) no debate, na vaga que havia sido aberta pela ausência de Lula.
Na decisão, Gilmar anulou os efeitos da determinação anterior do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que havia rejeitado o pedido de Renan. O ministro do STF determinou que o candidato tivesse as mesmas condições de tempo, perguntas e posição dos demais participantes, além de autorizar o credenciamento de sua equipe.
“Determinar à Globo Comunicação e Participações S.A. que assegure a participação do candidato Renan Antônio Ferreira dos Santos no debate presidencial a ser realizado em 1º de outubro de 2026, na vaga aberta pela desistência do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, nas mesmas condições de tempo, perguntas e posição asseguradas aos demais participantes, facultadas à emissora as adaptações necessárias na dinâmica do evento, e que autorize o credenciamento de sua equipe.”
A decisão ocorreu depois de Nunes Marques e, posteriormente, a ministra Cármen Lúcia, do STF, negarem pedidos anteriores para garantir a presença de Renan.
Renan havia sido considerado o candidato mais bem colocado, com 3% na pesquisa Quaest de 28 de setembro, entre aqueles que não tinham participação assegurada pelos critérios legais. As regras previam a possibilidade de convite nessa situação caso houvesse desistência de um dos candidatos inicialmente confirmados.
Último debate antes da votação
O encontro seria realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. Antes das mudanças provocadas pelas decisões judiciais e pelas desistências, estavam previstos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), além de Lula.
Com a saída de Lula e Flávio e a determinação judicial para inclusão de Renan, a composição prevista para o programa foi novamente alterada. A emissora, porém, decidiu cancelar o debate diante da ausência dos dois principais nomes originalmente previstos para o confronto.
O primeiro turno das eleições será realizado no domingo (4).



