
O site g1, principal portal de notícias do Grupo Globo, admitiu ontem (19) que “errou” ao publicar uma informação falsa sobre a proposta de Dani Marques, principal coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O portal havia noticiado que, em um eventual governo do candidato, beneficiários do Bolsa Família seriam desligados do programa após 24 meses, mesmo sem conseguir emprego.
Publicada às 10h48 desta segunda-feira, a reportagem só foi corrigida pelo portal às 15h23. A fake news propagada pela emissora foi publicada a apenas 7 dias do 2º turno das eleições presidenciais.
A proposta defendida por Dani Marques, na verdade, prevê uma regra de transição de 2 anos para beneficiários que conseguirem emprego formal ou abrirem o próprio negócio. O plano de Flávio também prevê o retorno automático ao programa caso a nova fonte de renda não se sustente.
Atualmente, a regra de proteção do Bolsa Família permite que famílias com aumento de renda permaneçam temporariamente no programa. Mesmo quando a renda ultrapassa R$ 218 por pessoa, o benefício não é cortado imediatamente. A família pode continuar recebendo 50% do valor que recebia antes por até 18 meses. Para ter acesso à regra de proteção, a renda mensal por pessoa não pode ultrapassar R$ 706.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade. É justamente nisso que a gente quer focar, este é o coração do plano do Flávio”, disse Dani Marques em entrevista à CBN Bahia. “A Caixa vai ser o grande braço de apoio para isso, assim como o Banco do Nordeste, para ser o banco do pequeno empreendedor, para oferecer crédito”, completou.
Segundo a ex-presidente da Caixa, o futuro Ministério da Prosperidade, previsto para um eventual governo Flávio Bolsonaro, deverá ajudar a população a deixar gradualmente o Bolsa Família por meio da oferta de crédito para novos negócios e de capacitação profissional.
“O coração do plano é focar a prosperidade. Colocar o brasileiro para crescer junto com o Brasil. Estão preservadas as proteções sociais, mas a gente quer que todo brasileiro tenha um plano para que cresça mais, com crédito, capacitação e parcerias com empresas privadas para cursos livres”, defendeu Daniella.

FAKE NEWS DE NOSSA SENHORA
Essa não é a 1ª fake news propagada pela Globo nesta eleição presidencial. Em 24 de setembro, a 10 dias do 1º turno, a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, CBN e Valor Econômico, divulgou, durante o programa “Em Pauta”, uma informação falsa, sem apresentar provas, sobre um suposto “movimento” de evangélicos para retirar ou alterar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
A declaração da jornalista foi associada nas redes sociais pela esquerda ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Perfis petistas passaram a compartilhar o trecho com a alegação falsa de que o candidato apoiaria a retirada do título de padroeira. Nos dias seguintes, a narrativa ganhou enorme repercussão nas redes.
Horas depois, já durante a madrugada, a Globo reconheceu que a proposta mencionada havia sido apresentada em 2007 e arquivada um ano depois. A emissora também pediu desculpas aos telespectadores. O esclarecimento, porém, não impediu políticos de esquerda de explorar o episódio e manter o assunto em circulação.
Ao divulgar a informação sem apresentar provas que sustentassem a associação com Flávio, a Globo contribuiu para disseminar uma das principais fake news da campanha. O próprio candidato e sua equipe desmentiram diversas vezes a alegação de que ele apoiaria um projeto para retirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil.
Um ranking elaborado com o software Brandwatch, que monitora o engajamento nas plataformas sociais, identificou os políticos que mais contribuíram para ampliar a circulação da fake news. Em primeiro lugar, ficou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em uma publicação no X sobre o tema, que recebeu mais de 40 mil curtidas, ela reconhece que a proposta que deu origem ao boato é de 2007 e já foi arquivada, mas cita Flávio ao manifestar preocupação de que o projeto possa “retornar ao debate público”.
Em 30 de setembro, as discussões nas redes sociais sobre a fake news envolvendo Nossa Senhora ultrapassaram 2,39 milhões de menções. O episódio alcançou a quarta maior repercussão entre eventos políticos no ano, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque.



