Estreia de Renato Gaúcho tem mudanças no Vasco além do esquema

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Renato orienta jogadores do Vasco — Foto: André Durão

A vitória por 2 a 1 contra o Palmeiras marcou a estreia de Renato Gaúcho como técnico do Vasco. Logo de cara, o treinador promoveu mudanças relevantes no estilo de jogo da equipe, em relação ao que vinha sendo apresentado por Fernando Diniz, independentemente do resultado da partida.

Separamos as decisões e mudanças de Renato Gaúcho no estilo de jogo nesta estreia pelo Vasco. Veja alguns pontos de observação.

Esquema de jogo

O ponto mais evidente aos olhos do torcedor foi a mudança no esquema do time. No primeiro tempo, o meio de campo teve três volantes, com entradas de Tchê Tchê e Hugo Moura nas vagas de Rojas e Barros.

Renato justificou que a entrada dos volantes ocorreu para neutralizar o Palmeiras. A estratégia foi manter sempre um homem de meio de campo a mais na marcação no setor.

— Na minha cabeça, era neutralizar a equipe do Palmeiras e, com a bola, jogar. Se você começa a dar muitas chances e muito espaço para a equipe do Palmeiras, é difícil. Então nós neutralizamos as jogadas do Palmeiras, tínhamos praticamente sempre um homem a mais no meio de campo. No segundo tempo, mesmo assim mudamos a equipe na parte tática, colocamos um meia e tiramos um volante. E, mesmo assim, a gente continuou pressionando e conseguiu essa vitória — completou.

O Vasco dominou o Palmeiras sem ter posse de bola tão superior ao adversário. Foram 17 finalizações contra oito. A equipe apostou em verticalidade e ataques rápidos, com Andrés Gómez e um time mais compacto.

Um ponto que ainda não deu certo, mas pode ser observado nas próximas partidas: o Vasco tentou jogadas ensaiadas em bolas paradas, sobretudo no primeiro tempo. A equipe cobrou dois escanteios de forma perigosa no início do jogo, com cruzamentos rasteiros para a segunda trave.

Posicionamento dos zagueiros e dos laterais

Com Fernando Diniz, era comum ver zagueiros abertos como laterais na fase de construção das jogadas, enquanto volantes faziam papel de zagueiros na saída de bola. Renato Gaúcho utilizou zagueiros mais fixos e laterais na base das jogadas de forma mais simples.

Quando o Vasco estava postado no ataque, Piton (ou Cuiabano) e Paulo Henrique recompunham e atacavam pelo meio. Desse movimento surgiu o segundo gol vascaíno, com Cuiabano e PH pisando na área do Palmeiras, enquanto Gómez e Adson estavam abertos.

No ataque, era comum ver Puma ou Paulo Henrique abertos como pontas, enquanto Nuno Moreira saía do lado para o meio de campo para buscar o jogo no espaço ocupado pelos volantes.

Recomposição

Com o meio de campo mais preenchido, Renato deixou David mais solto na recomposição, praticamente colado na linha central do gramado. O atacante era uma válvula de escape constante pelo ataque, alternando o papel com Andrés Gómez muitas vezes.

David em ação em Vasco x Palmeiras — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

A estratégia usada por Fernando Diniz contra grandes equipes ou jogos eliminatórios, muitas vezes, era de formar uma linha de cinco na defesa, com um dos pontas em um papel de auxiliar o lateral do mesmo lado. Nuno Moreira e Andrés Gómez desempenharam bastante essa função em 2025. Contra o Palmeiras, os pontas fecharam a marcação mais pelo centro do campo.

Aposta em mais experiência

Após a saída de Coutinho, o time titular do Vasco ficou muito jovem: Saldivia, Robert Renan, Piton, Barros, Rojas, Gómez, Nuno e Brenner — sete jogadores com 26 anos ou menos. Barros, Rojas e Brenner deixaram a equipe para entradas de Hugo Moura, Tchê Tchê e David, três jogadores acima dos 28 anos e com muita rodagem no futebol brasileiro.

— Em uma fase dessas, você não pode dar chance só aos garotos. Você precisa proteger ele, dar confiança e ir soltando eles aos poucos. Os garotos não estão preparados para o momento que passa o Vasco. Quando o time começa a ganhar, dá para ir soltando os garotos. Esse trabalho vai ser bem feito. Importante uma hora dessa colocar jogadores mais experientes — disse Renato, na apresentação como treinador do clube.

Reforços fora

Brenner e Marino Hinestroza sequer entraram em campo nesta quinta-feira, enquanto Rojas, Spinelli e Cuiabano começaram no banco. Os dois primeiros são os que mais geraram expectativa nas contratações de janeiro, mas tiveram início difícil até aqui. Há consenso entre a atual comissão técnica e o departamento de futebol de que ambos chegaram fora das condições físicas ideais, já que estavam de férias no exterior.

Ciente da situação física dos dois jogadores, a comissão técnica de Renato Gaúcho optou por utilizar atletas mais prontos fisicamente neste momento. Adson e David ganharam espaço e foram importantes na vitória contra o Palmeiras. Foi também forma de preservar os jogadores em um momento delicado para evitar desgaste maior.

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