
O ex-ministro da Casa Civil e candidato derrotado à Câmara por São Paulo, José Dirceu (PT), afirmou que a “renovação do PT é urgente” e defendeu que a composição do novo governo Lula (PT) reflita as forças políticas que garantiram a reeleição do presidente petista.
“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT. E dialogar com Psol, Rede, PDT e PSB para construir uma força mais orgânica”, declarou Dirceu em entrevista ao jornal O Globo nesta manhã (03).
Segundo o ex-ministro, “houve uma revolução pacífica e democrática pelo voto no Brasil. A sociedade clamou para que Lula fizesse um governo que retratasse as forças que o elegeram na composição”.
Dirceu também defendeu que Lula aproveite o novo mandato para articular um pacto político e aprovar reformas. O ex-deputado disse que o presidente “tem uma oportunidade histórica de chamar o país a um pacto político. O Brasil precisa de reformas, que precisam ser pactuadas: tributária, financeira, política e do Judiciário. Ele tem autoridade para liderar isso”.
Sobre a reorganização do PT, Dirceu afirmou que o Nordeste deverá ampliar sua representação. Embora a legenda só renove sua direção em 2029, haverá um congresso e uma discussão sobre o estatuto para adaptar o partido à nova realidade.
“Temos de democratizar mais o PT, melhorar a formação política e a atuação nas redes. A renovação no PT é urgente”, declarou.
O ex-ministro também defendeu a aproximação com outras forças de esquerda, jovens que votaram em Flávio Bolsonaro (PL) e evangélicos. “Temos de compreender melhor os setores da sociedade, sobretudo a juventude, insatisfeitos com a esquerda. Precisamos superar essa questão que o PT é antievangélico. Não podemos ter preconceito de que os evangélicos são bolsonaristas”, disse.
Dirceu também comentou a sucessão de Lula, que completou 81 anos na semana passada. Para ele, o próximo líder do campo governista terá de demonstrar capacidade de liderança na prática. Quem ocupar o espaço do presidente terá “de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar”.
O ex-ministro citou Fernando Haddad como exemplo de liderança em ascensão. “O [Fernando] Haddad se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço. Perdeu a eleição, mas isso não quer dizer nada. O Lula perdeu 3 e se elegeu 4 vezes presidente”
Dirceu afirmou ainda que os próximos líderes “vão ter de surgir na construção do país, do próprio PT e da luta democrática”. Ele declarou que “a direita já tem nomes enfileirados”.



