Delegado que indiciou Bolsonaro vira assessor de Moraes

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Ministro Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro. (Fotos: Fellipe Sampaio/Ton Molina/STF).

O delegado da Polícia Federal (PF) Fábio Shor, responsável por conduzir investigações que levaram ao indiciamento e posterior condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi nomeado para atuar como assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF).

A nomeação foi oficializada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, na segunda-feira (9) e publicada nesta terça-feira (10) no Diário Oficial da União (DOU). Veja abaixo:

No novo cargo, Shor passará a integrar a equipe responsável por auxiliar Moraes na análise e na preparação de processos criminais que chegam ao Supremo Tribunal Federal. O delegado atuará diretamente no assessoramento técnico das ações penais sob relatoria do ministro.

Entre suas atribuições estão a análise de provas, a elaboração de relatórios e o apoio jurídico nos julgamentos conduzidos pelo magistrado na Suprema Corte.

Antes da nomeação, Shor esteve à frente do inquérito conduzido pela PF que investigou uma suposta trama golpista envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. As conclusões da investigação serviram de base para a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O caso resultou, posteriormente, na condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão em setembro do ano passado, por crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

Durante a condução das investigações, o delegado também foi responsável por colher os depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Cid firmou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, fornecendo informações consideradas centrais para o avanço das apurações.

Caso “Abin Paralela”

Além do inquérito sobre a trama golpista, Shor também atuou nas investigações sobre o caso conhecido como “Abin Paralela”. A apuração analisou o suposto uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência para monitoramento de autoridades públicas e adversários políticos durante o governo Bolsonaro.

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