Criação de empregos formais cai 25% e tem pior 1º semestre desde 2020

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Carteira de trabalho digital. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil criou 921.645 empregos formais no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado representa uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,23 milhão de vagas com carteira assinada.

O desempenho é o pior para os seis primeiros meses de um ano desde 2020, quando o mercado de trabalho foi fortemente afetado pela pandemia de Covid-19 e registrou fechamento de postos formais. A comparação com anos anteriores a 2020 é limitada devido a mudanças na metodologia de divulgação dos dados.

Apesar da desaceleração, o estoque de empregos formais continuou em alta. Ao final de junho, o país contabilizava 48,03 milhões de vínculos com carteira assinada, acima dos 47,88 milhões registrados em maio e dos 47,07 milhões contabilizados em junho de 2025.

Junho tem menor resultado em seis anos

Somente em junho, foram criados 145.161 empregos formais, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos. O número representa uma queda de 10,4% na comparação com junho de 2025, quando foram abertas cerca de 162 mil vagas.

O resultado também foi o pior para um mês de junho desde 2020, quando a economia brasileira perdeu 53,3 mil postos de trabalho em meio aos impactos iniciais da pandemia.

Todos os cinco grandes setores da economia registraram saldo positivo no mês. O setor de serviços liderou a geração de empregos, com 74.514 vagas, seguido pela agropecuária (22.898), comércio (19.177), indústria (14.438) e construção (12.136).

Entre as regiões, o Sudeste teve o maior saldo, com 70.383 novos postos, seguido pelo Nordeste (34.433), Sul (19.617), Centro-Oeste (10.453) e Norte (9.633).

Juros elevados pressionam ritmo de contratações

A desaceleração na geração de empregos ocorreu em um cenário de juros ainda elevados. A taxa Selic está em 14,25% ao ano, patamar que o Banco Central mantém como parte da estratégia para controlar a inflação.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a política monetária, além de fatores externos, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos e conflitos internacionais, contribuiu para reduzir o ritmo de crescimento do mercado de trabalho.

“O comportamento da economia está desacelerando. Você tem, evidentemente, a contribuição negativa dos juros e tem também a contribuição do tarifaço, com as consequências que cria em alguns setores da economia”, afirmou.

O Banco Central, por sua vez, afirma que a manutenção de juros elevados busca reduzir a pressão inflacionária ao desacelerar a atividade econômica. A autoridade monetária também informou que acompanha a evolução do mercado de trabalho como parte da avaliação sobre o cenário econômico.

Serviços lideram saldo no semestre

No acumulado de janeiro a junho, o setor de serviços foi o principal responsável pela criação de empregos, com 571.926 vagas abertas. Também tiveram saldo positivo a construção civil (168.962), indústria (143.442) e agropecuária (40.853). O comércio, por outro lado, registrou fechamento de 3.514 postos no período.

Entre os estados, São Paulo liderou a criação de vagas no primeiro semestre, com 252.558 empregos formais, seguido por Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638).

O salário médio de admissão em junho ficou em R$ 2.404,34, com alta real em relação a maio, quando o valor médio era de R$ 2.387,44. Na comparação com junho de 2025, também houve aumento.

Os dados do Caged consideram apenas empregos formais com carteira assinada e não incluem trabalhadores informais. Por isso, os números não são diretamente comparáveis à taxa de desemprego calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

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