
O programa ALive abordou nesta quinta-feira (27) o caso do ataque bioterrorista envolvendo a vassoura-de-bruxa. No final da década de 1980, militantes do PT disseminaram intencionalmente a praga nas plantações de cacau do sul da Bahia, com o objetivo de enfraquecer política e economicamente os produtores locais e facilitar a ascensão política do partido na região.
A disseminação da praga devastou cerca de 600 mil hectares de lavouras. Desde então, o Brasil, que era o segundo maior produtor de cacau do mundo, passou a importar o produto.
De acordo com a presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Barroso, que participou do programa de hoje, o caso é claramente um “crime biológico”. Segundo ela, toda a região que produzia cacau “sofreu demais e sofre até hoje”.
“Infelizmente, até hoje, não houve a punição dos culpados”, lamentou. “O que a gente tem de concreto é simplesmente a devastação de uma região inteira, foi a perda de milhares de empregos, foi o êxodo rural, as cidades se afavelaram, muitas pessoas se suicidaram”.
Segundo Vanuza, os produtores da região ainda são afetados pelo “crime da vassoura de bruxa” e “amargam dívidas por conta dessa questão”: “Da vassoura de bruxa ter sido colocado de forma criminosa na nossa região”. Ela também chamou os culpados de “verdadeiros bandidos” que prejudicaram toda a região.
Ainda de acordo com Vanuza, o Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira Baiana (PRLCB), criado pelo governo federal em 1995, acabou levando os produtores “a se endividarem e, até hoje, eles amargam dívida” por falta de apoio do Executivo: “E essas fazendas que poderiam estar gerando renda, riqueza para toda uma região, estão em completo abandono”.
“O que o PT fez com a região foi realmente o maior crime da história, o maior crime biológico, pode-se dizer, de toda a humanidade. E fora que não é uma cidade, duas cidades, três cidades que produzem cacau, é do extremo sul até praticamente o recôncavo que produz cacau”, criticou a presidente da ANPC.
“Somos em torno de 126 municípios que produzem cacau. Então, a economia em todas essas cidades simplesmente acabou. Então, consequência disso? Violência, empobrecimento. Hoje em dia não existem os sucessores dessas propriedades, porque como que vai ficar movendo uma propriedade com dívida sem condições de pegar?”, indagou.

O ex-produtor de cacau Eduardo Simas também participou do programa e criticou o terrorismo biológico promovido com uma “mãozinha da ‘turma do amor’”: “Isso aí claramente afetou a vida econômica da região. Minha família tinha fazenda há 100 anos. […] E, de uma hora para outra, viram sua renda ser perdida”.
“De uma hora para outra, a dignidade de um pai de família foi perdida. Por irresponsáveis, por moleques que achavam que tinham que enfraquecer a política local, como? Tirando de quem financiava. Que eram os grandes cacauicultores”, continuou.
“Isso aí foi disseminado de uma forma que destruiu o pequeno, o médio. Destruiu todo mundo, inclusive a minha família”, completou Simas.




