
Apenas um quarto dos empreendimentos previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) foi concluído até abril de 2026. Dos aproximadamente 38,6 mil projetos incluídos no programa, lançado pelo governo de Lula (PT) em agosto de 2023, somente 9.742 haviam sido finalizados. Os dados fazem parte de um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira (5).
O programa reúne iniciativas em áreas como transporte, energia, saneamento, saúde, educação e conectividade. A previsão é de R$ 1,8 trilhão em investimentos até 2030, sendo R$ 1,3 trilhão destinado ao período até 2026 e os R$ 500 bilhões restantes previstos para os anos seguintes.
O ritmo de conclusão apresenta diferenças significativas entre os eixos de atuação. A infraestrutura social e inclusiva tem o menor percentual de empreendimentos finalizados, com apenas 7%. Em cidades sustentáveis e resilientes, o índice chega a 14%, enquanto a área de saúde registra 21%.
Nos demais segmentos, os percentuais são de 29% em transporte eficiente e sustentável e 30% em educação, ciência e tecnologia. Os melhores resultados aparecem em inovação para a indústria da defesa, com 50%, e transição e segurança energética, com 56%.
Os números foram calculados a partir de informações da Casa Civil consultadas pela CNI em abril deste ano. Como o cronograma do Novo PAC contempla projetos com execução prevista até 2030, o percentual de conclusão não significa, necessariamente, que os empreendimentos restantes estejam atrasados ou paralisados.
Déficit de investimentos em infraestrutura
O estudo também chama atenção para a insuficiência de recursos destinados à infraestrutura brasileira. Segundo a CNI, o país investe anualmente entre 1,9% e 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor. O percentual está abaixo dos 4,7% estimados pela consultoria Inter.B como necessários para modernizar a infraestrutura nacional ao longo de duas décadas.
Outro problema apontado é a deterioração da estrutura já existente. O levantamento estima que o desgaste da infraestrutura brasileira consome o equivalente a 1,4% do PIB por ano, reduzindo a capacidade de ampliar e modernizar os serviços.
Para Ramon Cunha, especialista em Infraestrutura da CNI, as limitações orçamentárias do poder público tornam indispensável ampliar a participação da iniciativa privada nos projetos. Ele ressalta, porém, que os investimentos privados não substituem a aplicação de recursos públicos.



