Estrangeiros retiram R$ 8,4 bilhões da B3 após eleição de Lula

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Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 8,4 bilhões da B3 entre a reeleição do presidente Lula (PT) e a terça-feira (3), último dado disponível. O movimento de saída, porém, começou antes do segundo turno, em 22 de outubro, quando as pesquisas eleitorais indicavam redução da diferença entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Considerando os oito pregões consecutivos de retirada, o volume chegou a R$ 12,4 bilhões. No mesmo período, investidores institucionais brasileiros também reduziram suas posições e retiraram cerca de R$ 4,8 bilhões da Bolsa. Somadas as duas categorias, a saída ultrapassou R$ 17 bilhões entre 26 de outubro e 3 de novembro.

Em relatório, analistas do BTG Pactual apontaram que a retirada de recursos estrangeiros começou antes da votação e continuou depois do resultado eleitoral.

“Na semana que antecedeu o segundo turno, os investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 4 bilhões. Após a vitória do presidente Lula no segundo turno, as vendas estrangeiras iniciadas na semana anterior continuaram”, informam os analistas do BTG Pactual em relatório.

A Bolsa registrou uma reação positiva na quarta-feira (4), com alta de 1,23%. Foi o primeiro pregão de ganhos após seis sessões consecutivas de queda. Entre os fatores associados à recuperação estavam a vitória democrata nas eleições dos Estados Unidos e a expectativa de anúncio de medidas de ajuste fiscal pelo governo Lula.

Ibovespa acumula queda de 18,3%

Entre 22 de outubro e 4 de novembro, o Ibovespa acumulou desvalorização de 18,3%. O movimento teve seu pior momento em 26 de outubro, quando o principal índice da Bolsa caiu 13,88% em um único pregão. Foi a terceira maior perda diária desde 2000, segundo dados da B3.

A queda acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o índice atinge determinados limites de desvalorização. A suspensão ocorreu por volta das 10h e durou 30 minutos.

Naquele momento, o preço teórico do Ibovespa indicava baixa de 10,47%. Após a retomada das operações, o índice chegou a recuar 17,34%. A B3 não acionou uma segunda interrupção e informou que uma nova paralisação dependeria de um movimento consistente em direção ao limite de 20%.

Foi a 24ª vez que o mecanismo foi utilizado desde sua criação, em 1997, e a primeira desde a pandemia de Covid-19, em 2020.

Outubro termina com dólar e juros em alta

A turbulência no mercado também afetou os demais ativos brasileiros. Em outubro, o Ibovespa recuou 9,9% em reais e 14,3% em dólares.

No mesmo período, os juros futuros avançaram até 265 pontos-base, e as taxas dos contratos de longo prazo ultrapassaram 15,3% ao ano. O dólar registrou valorização de 7,1%.

Apesar da sequência de retiradas iniciada em 22 de outubro, o saldo de investimentos estrangeiros na Bolsa permaneceu positivo em outubro, com entrada líquida de R$ 8,6 bilhões. O resultado foi impulsionado pelo ingresso de R$ 10,06 bilhões em 5 de outubro, após o primeiro turno das eleições.

XP reduz recomendação para ações brasileiras

A volatilidade levou instituições financeiras a rever suas projeções para o mercado acionário. No relatório de estratégia de novembro, a XP Investimentos reduziu sua recomendação para a Bolsa brasileira de otimista para neutra.

A corretora estabeleceu valor justo de 200 mil pontos para o Ibovespa no fim de 2027. O potencial de valorização estimado é de 19%, percentual semelhante ao retorno projetado para a renda fixa no período.

O modelo da XP aponta um cenário de inflação e juros em alta, considerado desfavorável para as ações brasileiras. Em uma projeção pessimista, a corretora estima que os lucros das empresas que compõem o índice podem sofrer redução de até 13% em 2027.

O Índice de Sentimento da instituição caiu de 100 para 18 pontos entre 9 e 29 de outubro. Apesar da forte retração, o indicador não alcançou o patamar de pessimismo extremo que, historicamente, costuma sinalizar oportunidades de compra.

No BTG Pactual, estrategistas também reduziram a exposição ao risco em algumas carteiras com ações.

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