Saída de Flávio expõe regime petista e esvazia poder de barganha de Moraes

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Foto: Reprodução

Se confirmada a ida de Flávio Bolsonaro para os EUA a fim de exercer o papel de líder de um governo no exílio, há duas consequências imediatas na política. A primeira é que o senador poderá denunciar diariamente, com ampla repercussão midiática, os indícios de crimes eleitorais praticados por Lula para obter seu quarto mandato — alguns são flagrantes, como o abuso de poder político e econômico durante a campanha.

Com apoio do governo americano, o ex-candidato infernizará a vida de Lula e do Supremo Tribunal Federal, denunciando a manobra de Cristiano Zanin que prorrogou por duas horas a votação e qual teria sido exatamente o impacto disso no resultado eleitoral. Desde domingo, pesquisadores eleitorais e estatísticos tentam compreender a virada de 10 milhões de votos do petista no segundo turno.

Sem reconhecimento oficial de seu governo por parte de Donald Trump e de Javier Milei e com a suspeita sobre o resultado pairando no ar, Lula governará com baixa legitimidade. Ainda é cedo, porém, para saber a consequência prática disso no dia a dia da política, especialmente considerando as atuais articulações para as presidências da Câmara e do Senado. Mas aí vem a segunda consequência óbvia que nos dá alguma pista.

Com Flávio longe de sua garras, Alexandre de Moraes perde seu principal instrumento de barganha política para evitar um impeachment. Tampouco poderá usar uma “eventual prisão do senador” para dobrar a oposição, especialmente na disputa pelo comando da Câmara Alta, onde tem maioria. Ao contrário do que sugerem alguns analistas do mainstream, a ausência de Flávio fortalece a oposição, pois a liberta.

Se a liderança do 01 na rotina das articulações de bastidor do Congresso tende a se enfraquecer pela distância, a simbólica certamente aumentará, reforçando seu papel de herdeiro político do pai; que permanece como prisioneiro do regime e assombrando cada passo de Lula e do próprio Moraes, um ministro sem legitimidade para conduzir qualquer inquérito, especialmente contra membros do clã.

A propósito, o polêmico resultado das urnas de domingo, longe do que pretendem Lula e Moraes, não apaga as suspeitas dos casos Master e INSS, apenas as reforçam. Regimes não democráticos, para se sustentar, costumam deixar um rastro de destruição institucional e muitos esqueletos no armário. Trocar a mobília do Planalto ou do Supremo não espanta seus fantasmas. E eles aumentam a cada ato de força.

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