Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas

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Loja Ri Happy. Foto: Reprodução.

A Ri Happy e outras cinco empresas do grupo recorreram à Justiça de São Paulo para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. O pedido de recuperação extrajudicial foi apresentado em meio a um processo de reestruturação financeira iniciado após a aquisição da companhia pela BluSun Capital Partners, em 31 de agosto.

Entre as empresas incluídas estão a Ri Happy Brinquedos, a PBKids e companhias ligadas à administração de marcas, franquias e outros negócios do grupo. O processo foi encaminhado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo e aguarda análise judicial.

A empresa informou que a medida busca reorganizar os pagamentos e ajustar o endividamento à capacidade operacional. Segundo informações divulgadas sobre o pedido, credores que representam R$ 308,8 milhões, o equivalente a cerca de 42,4% dos créditos incluídos no plano, já aderiram à proposta.

A recuperação extrajudicial permite negociar condições de pagamento com credores e submeter o acordo à homologação da Justiça. A apresentação do pedido, por si só, não significa que o plano tenha sido aprovado.

Juros altos e concorrência pressionam a operação

No documento apresentado à Justiça, o grupo relaciona a crise a uma combinação de fatores econômicos e mudanças no varejo. Entre eles estão os efeitos acumulados da pandemia, o custo elevado do crédito, a redução do poder de compra das famílias e a desaceleração do consumo.

A companhia também afirma que uma renegociação de aproximadamente R$ 292 milhões em dívidas bancárias, realizada em 2023, não produziu a recuperação esperada. Com juros elevados e dificuldades para retomar o crescimento das vendas, a situação financeira continuou pressionada.

Outro ponto citado é a concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee e AliExpress, que oferecem produtos a preços mais baixos. A Ri Happy sustenta que a carga tributária sobre produtos vendidos no Brasil dificulta a competição com itens importados.

O grupo argumenta que a deterioração financeira não se restringe à própria empresa, mas acompanha dificuldades mais amplas do varejo, com efeitos sobre fornecedores, distribuidores e a disponibilidade de capital de giro.

Nova gestão tenta reorganizar o grupo

A recuperação extrajudicial foi protocolada 48 dias após a BluSun Capital Partners assumir o controle integral da varejista. Com a aquisição, Héctor Nuñez voltou à presidência executiva, cargo que já havia ocupado entre 2012 e 2020.

A nova administração anunciou medidas de controle de custos, ajustes nas equipes corporativas e preparação para uma mudança de sede. O plano também prevê melhorar a gestão de estoques e o desempenho das lojas e dos canais digitais.

Em comunicado, a companhia afirmou que pretende “reorganizar o pagamento das dívidas e adequar a estrutura financeira às necessidades operacionais”. A Ri Happy diz que mantém o funcionamento das unidades físicas e do comércio eletrônico, com equipes concentradas na preparação para a Black Friday e o Natal.

Fundada em 1988, a rede incorporou a PBKids em 2012 e construiu uma operação com centenas de lojas no país. O grupo informa ter mais de 2.600 funcionários e cerca de 292 unidades próprias e franqueadas.

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