Velório de Netinho é restrito a familiares de acordo com desejo do cantor

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Foto: Reprodução | Instagram

O velório do cantor Netinho ocorreu nesta quarta-feira (14), no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, em Salvador, restrito a familiares e amigos do artista, seguindo um desejo dele expresso em vida. A informação foi confirmada pela assessoria do baiano.

O artista morreu na terça, 13, aos 60 anos, após ter sido diagnosticado com câncer no sistema linfático em março de 2025.

Emocionados, familiares e amigos aproveitaram para se despedir do cantor em uma cerimônia fechada na manhã de hoje. A cremação estava prevista para acontecer às 14h.

“Por desejo expresso do próprio Netinho, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos”, diz trecho da nota da assessoria.

O cantor Netinho, em 1998 — Foto: Divulgação/Christian Gaul

O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Ele estava internado no Hospital Aliança Star desde o fim de setembro, após a recidiva da doença.

Netinho revelou o diagnóstico em março de 2025, depois de ser internado com fortes dores nas pernas. Na ocasião, precisou interromper a agenda de shows do Carnaval e iniciou o tratamento contra o câncer. Ao longo dos meses seguintes, compartilhou com os fãs detalhes das etapas do tratamento nas redes sociais.

Em 2026, o cantor anunciou que a doença havia retornado e que precisaria retomar a quimioterapia.

Linfoma não Hodgkin, câncer que matou Netinho, deve registrar 12,5 mil novos casos por ano até 2028

Netinho durante tratamento • Foto: Reprodução/Instagram

A morte do cantor Netinho, nesta terça-feira (13), em Salvador, trouxe novamente a atenção para o linfoma não Hodgkin (LNH), tipo de câncer que o artista enfrentava desde 2025. Um dos principais nomes da Axé Music, conhecido por sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, o baiano morreu em decorrência de falência renal e disfunção múltipla de órgãos associadas ao quadro clínico. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 12.560 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028.

Desse total, são esperados 6.580 casos em homens e 5.980 em mulheres anualmente. Em relação à mortalidade, os dados mais recentes disponibilizados pelo Inca apontam 5.046 óbitos por linfoma não Hodgkin em 2024, sendo 2.753 homens e 2.293 mulheres.

“O linfoma não Hodgkin é um câncer que se desenvolve a partir dos linfócitos, células responsáveis pela defesa do nosso organismo. Elas estão presentes nos gânglios linfáticos, no sangue, no baço, na medula óssea e em diversos outros órgãos”, explica o médico e doutor em oncologia Iran Costa, da Florence Hospital de Transição.

O especialista ressalta que não se trata de uma doença única, mas de um conjunto de cânceres com características distintas. “Na realidade, não estamos falando de uma única doença, mas de um grupo com dezenas de subtipos de câncer, que apresentam comportamentos e tratamentos diferentes”, afirma.

O linfoma não Hodgkin está entre os tipos de câncer mais incidentes no país, ocupando a 11ª posição quando excluídos os tumores de pele não melanoma. Na Bahia, a estimativa do Inca é de 640 novos casos em 2026. Embora possa atingir pessoas de qualquer idade, a incidência aumenta com o envelhecimento. “A doença pode atingir pessoas de qualquer idade, mas sua frequência aumenta com o envelhecimento”, destaca o médico.

Foto: Reprodução

Causas ainda não são totalmente conhecidas

O linfoma não Hodgkin reúne diferentes tipos de tumores, que variam conforme as células envolvidas, o grau de agressividade e a velocidade de evolução. As causas exatas ainda não foram completamente esclarecidas, mas alguns fatores podem elevar o risco de desenvolvimento da doença.

“As causas exatas ainda não são totalmente conhecidas. Entretanto, sabemos que alterações do sistema imunológico, algumas infecções virais, determinadas doenças autoimunes e a exposição a alguns agentes químicos podem aumentar o risco”, explica Iran Costa.

Entre os principais sinais de alerta estão o aparecimento de ínguas, especialmente no pescoço, nas axilas e nas virilhas, febre persistente, suor noturno intenso, perda de peso sem explicação, cansaço e fraqueza. Quando descobriu a doença, Netinho procurou atendimento hospitalar após apresentar dores nas costas e nas pernas, além de fraqueza.

Foto: Reprodução | Instagram

O cantor enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, a forma mais comum da doença, responsável por cerca de 80% a 90% dos casos, conforme a estimativa citada pelo especialista. “Eles se originam dos linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos”, pontua.

Apesar de também atingir o sistema linfático, o linfoma não Hodgkin é diferente do linfoma de Hodgkin. Este último apresenta características específicas nas células tumorais, entre elas a presença das chamadas células de Reed-Sternberg, e costuma acometer adolescentes e adultos jovens. Outra diferença está no padrão de disseminação: no linfoma de Hodgkin, a progressão entre grupos de linfonodos tende a ser mais previsível do que no não Hodgkin.

Tratamento e desafios do diagnóstico

Os dois tipos de linfoma têm opções de tratamento e podem apresentar possibilidade de cura, a depender das características de cada caso. No linfoma não Hodgkin, o prognóstico varia conforme o subtipo, a extensão da doença, a idade e as condições clínicas do paciente, além da resposta às terapias.

No caso do linfoma não Hodgkin do tipo B, o especialista cita estimativas segundo as quais de 70% a 90% dos pacientes podem responder ao tratamento, a depender do subtipo considerado. As opções terapêuticas incluem quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, que atuam sobre mecanismos específicos das células tumorais.

Entre os desafios para enfrentar a doença estão o diagnóstico tardio e a dificuldade de reconhecer os sintomas. Sinais como cansaço e perda de peso podem ser atribuídos a outros problemas de saúde, o que pode atrasar a investigação médica.

O aparecimento de ínguas, por sua vez, não significa necessariamente câncer. “Não significa que toda íngua seja câncer. Na realidade, a maioria está relacionada a doenças benignas, principalmente infecções. Mas reconhecer os sinais de alerta e procurar avaliação médica pode fazer diferença”, afirma Iran Costa.

A confirmação do diagnóstico também exige investigação especializada. Para identificar o subtipo do linfoma não Hodgkin, geralmente é necessária uma biópsia do tecido afetado, acompanhada de exames complementares. Em determinados casos, podem ser realizadas análises moleculares para caracterizar melhor o tumor e orientar a escolha do tratamento.

“É importante que a população compreenda que o diagnóstico de linfoma não Hodgkin não significa uma sentença de morte. Estamos falando de um grupo de doenças para as quais a medicina desenvolveu tratamentos extremamente eficazes”, conclui o oncologista.

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