
A melhor das notícias que emergiram das urnas ontem foi a vitória da direita no Senado. Como registramos há pouco, a partir de 2027 teremos maioria para eleger o sucessor de Davi Alcolumbre e, com isso, abrir um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes e outros aventureiros de toga.
Mas as conquistas vão além, promovendo talvez a mudança mais profunda na correlação de forças políticas do Brasil dede a redemocratização, impondo uma nova realidade de governabilidade para o próximo presidente e redefinindo o equilíbrio institucional do país. A partir do ano que vem, a direita terá chances reais de devolver o STF ao seu lugar.
O Partido Liberal (PL), que garantiu a liderança isolada do Senado ao eleger 19 novos nomes, projeta uma bancada recorde de 28 senadores — mais de três vezes a bancada do PT. Os demais partidos do Centrão tampouco terão força para a tradicional barganha fisiológica que tanto mal faz à política.
No total, o bloco alinhado à direita deve oscilar entre 44 e 50 senadores, superando com folga a metade das 81 cadeiras do parlamento. Com mais da metade do Senado sob controle, o bloco conservador passa a ter as chaves da pauta legislativa e das comissões mais importantes da Casa, como a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Na prática, isso significa que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, o céu do Senado será de brigadeiro e o governo conseguirá avançar de forma consistente nas reformas que precisam ser feitas para arrancar o Brasil do atraso. Caso seja Lula, seu quarto mandato estará praticamente inviabilizado.
Vale ressaltar que cabe exclusivamente ao Senado sabatinar e aprovar nomes para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de tribunais superiores, diretores do Banco Central e de agências reguladoras, o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR), além de embaixadores.
Nesse novo cenário, a ala mais alinhada ao bolsonarismo assume o mandato com uma plataforma explícita de enfrentamento ao STF, levantando bandeiras como a limitação de mandatos para ministros da Suprema Corte e o freio a decisões monocráticas, caso, obviamente, mantenha a coesão política.



