Globo: Debate existe para informar eleitor em ambiente livre, não em entrevista controlada

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Foto: Alejandro Zambrana/TSE

Em editorial divulgado na noite de ontem (1º), após decidir pelo cancelamento do debate presidencial, a Globo criticou decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que alteraram, de maneira ilegal, as regras previstas para o confronto entre os candidatos.

A emissora classificou as medidas como “interferência política da Justiça” e afirmou que houve “violações à Constituição e à liberdade de imprensa”.

O texto cita a decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, que proibiu a Globo de manter um púlpito vazio com o nome de Lula e de permitir que os candidatos presentes dirigissem perguntas ao petista. A emissora também mencionou a decisão do ministro do STF Gilmar Mendes, que determinou a participação de Renan Santos, líder do MBL e candidato à Presidência, no debate.

“Indicada ao cargo pelo próprio Lula, a ministra Estela Aranha criou um desequilíbrio em favor do candidato petista, em detrimento dos demais postulantes ao Planalto”, afirmou a emissora no editorial. “Regras prevendo o púlpito vazio também foram adotadas noutros debates na atual campanha e em campanhas anteriores, e não apenas pela Globo”.

“Em todos, foram respeitadas sem queixas. Tanto que, no primeiro debate deste ano, organizado pela Band, Lula e Flávio faltaram, e o espaço reservado a ambos ficou vazio diante das câmeras. No primeiro turno da eleição de 2006, o mesmo Lula deixou de comparecer ao debate da Globo – e perguntas foram dirigidas ao púlpito vazio pelos candidatos adversários. Por que as mesmas regras não deveriam valer nesta eleição?”.

A Globo destaca que Estela Aranha, em sua liminar, argumenta que “a medida tem potencial para causar situação de desequilíbrio entre os participantes, conferindo espaço autônomo para referências a candidato ausente sem observância da dinâmica dialética que caracteriza o instituto do debate eleitoral”: “Ora, trata-se de uma alegação sem nexo. Para observar a “dinâmica dialética”, bastaria a Lula comparecer ao debate. Sua ausência em nada evitaria citações a seu nome. Quem fez mal a si mesmo foi o próprio Lula”.

“O debate existe para informar o eleitor sobre ideias e propostas num ambiente jornalístico livre, não numa entrevista controlada”, continua a emissora. “Todos os candidatos deveriam comparecer. Desistir de debater e entrar com o pedido de liminar junto ao TSE demonstra desrespeito não apenas ao documento firmado que estabelecia as regras, mas também ao eleitor. E mancha as até agora limpas credenciais democráticas do próprio Lula”.

“Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa. A politização perniciosa que tem acometido os tribunais superiores no Brasil justifica plenamente a decisão da Globo”, finaliza o editorial.

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