
Uma pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira (22) mostra que 60,5% dos entrevistados defendem o impeachment imediato do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, enquanto 49,8% têm a mesma posição em relação ao ministro Alexandre de Moraes. O levantamento relaciona a avaliação dos entrevistados às suspeitas e investigações envolvendo integrantes da Corte e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O levantamento foi realizado entre 17 e 21 de setembro, após a sessão do STF que discutiu a abertura de investigação envolvendo Moraes. O plenário terminou a análise com placar de 4 votos a 3 sobre a tramitação conjunta dos casos de Moraes e do ministro André Mendonça, antes de um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
No caso de Moraes, além dos 49,8% que defendem o afastamento imediato, outros 31,9% consideram que o impeachment deveria ocorrer caso as investigações comprovem envolvimento do ministro no episódio. Outros 15,1% são contrários ao afastamento e 3,2% não souberam responder.
Entre os entrevistados que avaliaram a situação de Toffoli, 26,1% condicionam um eventual impeachment à comprovação de envolvimento no caso. Outros 6,5% são contrários ao afastamento e 6,8% não souberam responder.
Moraes
A situação de Moraes entrou no levantamento após a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Os registros mostram contatos entre o banqueiro e pessoas ligadas ao ministro e pedidos relacionados a investigações envolvendo o Banco Master.
Também foram divulgadas informações sobre contratos entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Segundo registros apresentados no âmbito das investigações, um dos contratos teria valor de R$ 131 milhões. Outro acordo, de R$ 50 milhões, teria envolvido a transferência de cotas de duas aeronaves.
As mensagens também registraram a emissão de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro, conforme informações atribuídas aos dados extraídos pela PF.
Toffoli
A avaliação sobre Toffoli aparece ligada principalmente às relações econômicas envolvendo familiares do ministro e o resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento teve participação de um fundo cujo beneficiário final era Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
Toffoli era relator dos processos relacionados à Operação Compliance Zero no STF, mas deixou a condução do caso depois que sua relação econômica com o banqueiro veio a público. A relatoria passou posteriormente ao ministro André Mendonça.
A parcela dos entrevistados que defende o impeachment imediato de Toffoli cresceu em relação a um levantamento anterior do AtlasIntel. Em março, 49,3% haviam adotado essa posição. Agora, o índice chegou a 60,5%.
Outros ministros
As investigações relacionadas ao Banco Master também alcançaram pessoas próximas a outros ministros do STF.
Mensagens atribuídas a Vorcaro indicaram um pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. No caso de Luiz Fux, registros mostraram conversas entre o banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro.
Também foram registrados encontros de Vorcaro com os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Mendonça confirmou ter recebido o banqueiro em uma instituição de ensino ligada a ele e posteriormente deixou a sociedade da entidade.
Gilmar, por sua vez, confirmou uma reunião com Vorcaro no STF, acompanhado por dois advogados do Banco Master. Segundo os relatos divulgados sobre o encontro, o assunto envolvia uma causa bilionária de interesse do banqueiro.
Metodologia
A pesquisa Atlas/Estadão ouviu 1.852 brasileiros entre 17 e 21 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.



