IBGE vai inserir tráfico de drogas e bets no cálculo do PIB, aponta economista

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai publicar, entre o fim de 2026 e o início de 2027, uma nova metodologia de cálculo do PIB brasileiro. Segundo análise do economista Bráulio Borges, da FGV e da LCA Consultores, publicada em sua coluna na Folha de S.Paulo, a mudança deve fazer o indicador saltar entre 4% e 5% sem que nada mude na economia real do país.

Hoje o PIB brasileiro gira em torno de R$ 13,7 trilhões. Com a nova série, esse número deve passar dos R$ 14 trilhões. O motivo é uma revisão que atualiza o chamado ano-base das Contas Nacionais, hoje ainda calculado com referência a 2010. Em nota, o IBGE confirma que o novo ano-base será 2021 e que os técnicos vão seguir as recomendações do manual de contas nacionais da Organização das Nações Unidas (ONU).

Será a terceira grande revisão metodológica em duas décadas. As duas anteriores também fizeram o PIB dar um salto no papel, sem qualquer mudança real na produção, no consumo ou no emprego do país.

O que passa a entrar no PIB

A mudança mais discutida é a inclusão de atividades ilegais no cálculo. Pela avaliação de Bráulio Borges, tráfico de drogas, contrabando e jogos de azar, como as apostas esportivas online, passam a contar na conta do PIB. Roubo, furto e extorsão continuam de fora.

A diferença está no critério técnico usado pelo IBGE: a transação voluntária. Quando alguém compra droga ou faz uma aposta, existe negociação entre duas partes que concordam com o negócio. Já o roubo é uma transferência forçada de patrimônio, sem acordo, e por isso não entra na conta.

O caso da corrupção ainda está em aberto. Existe uma transação voluntária entre quem paga e quem recebe a propina, mas o efeito é de desvio de recursos, não de produção, e os técnicos do IBGE ainda não bateram o martelo sobre incluir ou não a prática.

A discussão também ganhou alcance nas redes sociais. Leandro Siqueira, influenciador do segmento de economia e fundador da Varos, casa de análise de investimentos, publicou no Instagram um carrossel que viralizou explicando os pontos da nova conta do IBGE.

Na publicação, ele detalha o critério da transação voluntária, mostra por que roubo, furto e extorsão continuam fora do cálculo e destaca que a corrupção é o caso limítrofe ainda em aberto. Siqueira aponta ainda o padrão histórico dessas revisões, em que o PIB nominal quase sempre acaba maior do que o estimado inicialmente. A própria publicação indica como fonte a coluna de Bráulio Borges na Folha de S.Paulo.

O IBGE ainda não detalhou publicamente quais atividades ilegais entrarão no novo cálculo. O material oficial do instituto divulgado até aqui trata do novo ano-base, da adequação ao manual internacional e da melhor mensuração do meio ambiente e da economia digital. A definição final só deve ser conhecida na divulgação da nova série.

Por que a nova metodologia do PIB interessa agora

Parte da alta também vem de um efeito mecânico, que aconteceria de qualquer forma: o IBGE está atrasado na divulgação dos números definitivos porque realocou a equipe para montar a nova série. O último PIB fechado é o de 2023, e os anos seguintes seguem com estimativas provisórias que devem ser revisadas para cima.

Outro fator é a atualização das fontes de dados, como o Censo de 2022, e o uso mais intensivo de nota fiscal eletrônica, que capta melhor a economia informal.

Nada disso muda a vida de quem trabalha, paga conta ou sente o preço no mercado. Dívida, arrecadação, gastos públicos e emprego seguem exatamente os mesmos. O que muda é a régua usada para medir o tamanho da economia, e essa régua importa porque reduz indicadores como a relação entre dívida pública e PIB, o que costuma agradar investidores e agências de risco. A divulgação da nova metodologia do PIB brasileiro ficou marcada para depois das eleições de 2026.

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