Cresce impacto da inadimplência em grandes bancos

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Os grandes bancos brasileiros elevaram o provisionamento para perdas com crédito no 2º trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Quase todas as instituições, com exceção do Itaú, registraram aumento no nível de inadimplência acima de 90 dias. 

Entre as instituições analisadas, o Banco do Brasil tem o maior valor de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos). A alta foi de 16,4% em 1 ano, de R$ 15,9 bilhões para R$ 18,5 bilhões. Já o Bradesco registrou o maior aumento percentual, de 23,5%. O Itaú precisou ampliar o provisionamento em 8,2%, enquanto o Santander elevou em 11,8%.

A métrica serve para estimar o valor que uma empresa pode perder com clientes que não vão pagar suas dívidas.

O chefe da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier, afirmou que a expectativa é que a inadimplência continue pressionando os bancos nos próximos trimestres. 

“Estamos vendo o endividamento das famílias atingir níveis recordes. Como essa variável afeta diretamente o core business dos bancos, é difícil ter expectativa de melhora. Vira uma questão dos bancos controlarem a forma que fornecem crédito para obter mais qualidade e eficiência”, afirmou Xavier.

O especialista em investimentos e sócio da Anvex Capital, Fernando Benavenuto, concorda que os próximos balanços ainda devem refletir esse cenário. “A inadimplência avança de forma disseminada e não concentrada em um único segmento, o que caracteriza um movimento de ciclo de crédito. E esse efeito tem defasagem, contaminando os balanços por vários trimestres depois do pico da Selic”, declarou.

A inadimplência alcançou 4,9% em julho, de acordo com o Banco Central. O dado atingiu nível recorde desde o início da série histórica iniciada em 2011, mesmo com o Novo Desenrola Brasil em vigor desde maio.

A proporção de famílias brasileiras endividadas alcançou 82% em julho de 2026, o maior patamar da série histórica iniciada em 2015, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Mesmo com o 4º corte consecutivo da taxa de juros, a Selic segue em patamar elevado, em 14% ao ano.

O aumento do provisionamento indica que os bancos estão reservando mais recursos para fazer frente a possíveis perdas com operações de crédito.

A elevação reflete, entre outros fatores, a maior expectativa de perdas com as operações de crédito e ocorre em um cenário de deterioração da inadimplência em parte das instituições.

O provisionamento reduz o resultado porque é reconhecido contabilmente como despesa ou perda esperada, e não porque restringe a oferta de crédito. Além de pressionar o resultado, uma deterioração da qualidade da carteira pode levar os bancos a adotar critérios mais rígidos na concessão de novos empréstimos.

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