
* Por Cláudio Dantas
Só eu estou vendo Davi Alcolumbre e Hugo Motta usarem o Congresso Nacional para tentar reeleger Lula? Não é possível que a imprensa do pix, que dias atrás se indignou com o jantar secreto na casa de Alexandre de Moraes, ache normal o que está acontecendo agora.
Lula e Alcolumbre eram os convidados de honra daquele encontro e até hoje não prestaram contas do que foi tratado lá.
Convém desconfiar de que o conteúdo do jantar tenha relação direta com a pauta do almoço de ontem, quando os três cavaleiros do Apocalipse anunciaram que colocarão em votação a MP que derruba a taxa das blusinhas e a PEC que proíbe a escala 6×1.
As duas pautas polêmicas não tem o consenso dos líderes partidários — que nem sequer foram consultados –, mas são de total interesse do petista, devido ao enorme apelo popular e ao potencial para desequilibrar o jogo eleitoral.
Subordinar as duas Casas Legislativas ao projeto eleitoral de um candidato configura abuso de poder político, passível de cassação e inelegibilidade.
Alcolumbre e Motta possuem, por simetria constitucional, a prerrogativa soberana de ditar o ritmo e a pauta das votações nacionais, mas esse poder de agenda pressupõe o atendimento ao interesse público, e não o socorro emergencial a um governo que vive seu ocaso.
Lula colhe seus piores índices de apoio!
Reverter a taxação de importações — medida gestada, defendida e sancionada pelo próprio petista — a poucos dias do pleito é um atestado de oportunismo que fere de morte o princípio da isonomia que deveria reger a disputa. Avançar com o fim da escala 6×1 na última semana antes do recesso branco, desprezando os alertas massivos do empresariado, escancara a operação de marketing eleitoral pró-Lula.
Estão sequestrando a agenda Legislativa para a produção artificial de “fatos políticos” positivos, que gerem imagens institucionais valiosas para serem espalhadas nas redes sociais e incluídas nas peças de propaganda do horário eleitoral gratuito, na TV aberta e nas rádios.
Tudo fruto de um conluio explícito entre as cúpulas dos Poderes para asfixiar a oposição e desequilibrar o jogo eleitoral.
Se o TSE mantiver o rigor técnico de seus precedentes sobre a paridade de armas, deve aplicar, tão logo provocado, o conteúdo da Lei Complementar nº 64/1990, com destaque para os crimes de desvio de finalidade, uso indevido dos meios de comunicação e gravidade institucional.
Lula, Motta e Alcolumbre precisam ser cassados.



