
Numa das mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Roberta Luchsinger, a sócia de Lulinha relata o planejamento para retirar o filho de Lula com a família do país “antes de junho”. De fato, Fábio Luís Lula da Silva e Renata, sua mulher, se mudaram para Madri, na Espanha, poucos meses após a deflagração da Operação Sem Desconto, que descortinou o esquema de fraudes bilionárias nos contracheques dos aposentados.
No diálogo, a lobista diz que precisava acelerar os negócios. “Temos prazo, pq Fábio vai embora. Em março, tenho que ir ver a casa dele e escola (…) As coisas irão acontecer pq eu tenho q tirar o Fábio e família do país até junho.” As mensagens constam de relatório da PF revelado pela Veja.

A mudança ocorreu antes de o escândalo envolvendo o Careca do INSS ganhar maiores proporções. Os advogados do filho de Lula alegam que a ida para a Europa já estava planejada e não teria relação com as investigações. A PF, entretanto, incorporou a mensagem ao conjunto de elementos em que analisa a atuação financeira e empresarial do grupo criminoso.
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“Fábio e eu somos uma coisa só”, diz lobista em mensagem

A Polícia Federal (PF) extraiu do celular da lobista Roberta Luchsinger mensagens que comprometem ainda mais Fábio Luís Lula da Silva na investigação por suspeita de tráfico de influência no governo Lula. Numa conversa em janeiro de 2024, com o empresário Gustavo Gaspar — que viria a ser alvo da Operação Sem Desconto –, a amiga de Lulinha evidencia o grau de intimidade com o presidente da República, expõe a sociedade com seu filho e demonstra ter acesso liberado na Esplanada.
“Fefe, Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, tds vão. A gente é mesmo irmão”, diz Roberta. Fefê é Fernando Bittar, antigo sócio de Lulinha e um dos donos formais do sítio de Atibaia. Segundo o relatório policial, obtido pela Veja, o trio teria formado um núcleo permanente voltado à interlocução de interesses privados com integrantes da Administração Pública Federal. Ou seja, para a prática do crime de tráfico de influência.
Em outra mensagem, reproduzida pela revista, Roberta conta que Lula, após a vitória eleitoral em 2022, a chamou para lhe oferecer uma posição em algum ministério ou estatal. “Fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando.” E complementa, demonstrando trânsito livre no governo do pai do sócio: “Tô em cargo nenhum e ando onde eu quero.”
Roberta Luchsinger também explica o papel de Fábio, que só atuava quando necessário. “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo precisa. Tem q se preservar”, disse. As mensagens foram obtidas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a quebra do sigilo telemático de Roberta. A partir do conteúdo armazenado em nuvem, os investigadores passaram a analisar conversas, documentos e movimentações relacionadas aos negócios conduzidos pelo grupo.
Atuação no governo
Roberta é investigada com Fábio em três inquéritos, por suspeita de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. Um deles trata da tentativa de emplacar no SUS medicamentos à base de canabidiol. De acordo com a PF, Roberta atuava para destravar a regulamentação do setor e, posteriormente, viabilizar um contrato superior a R$ 1 bilhão no Ministério da Saúde.
Em uma conversa de janeiro de 2025, Roberta relatou a Lulinha que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, pressionava pelo avanço do negócio. “Ontem eu disse para Fábio: Antonio tá pressionando e acho bom vc se mexer”, escreveu.
A investigação aponta ainda que Lulinha teria ajudado a abrir caminho para uma reunião entre Roberta e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. Em conversa sobre o encontro, Roberta afirmou: “Precisamos 100% do Berger”. Para os investigadores, as evidências reforçam o objeto da investigação e a necessidade de medidas cautelares, por parte de Mendonça.




