Cobaia do próprio estudo, homem reduz sua idade biológica em 15 anos

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Foto: Reprodução/Instagram/thedeanh

Com o objetivo de verificar como a linha de base biológica de cada pessoa se comporta em relação à saúde e à longevidade, um estudo realizado pela Escola de Medicina Yong Loo Lin da Universidade Nacional de Singapura (NUS Medicine) resolveu utilizar um método diferente: tornando o próprio professor o objeto de estudo, Dean Ho.

Ho tem 47 anos, é professor e diretor do Instituto de Medicina Digital (WisDM) da Faculdade de Medicina da NUS e lidera o estudo chamado DELTA, que se baseia na ideia central de que cada pessoa tem uma linha de base biológica específica, a qual pode ser influenciada por fatores como idade, estresse, sono, alimentação, exercícios e doenças.

Segundo a equipe que realizou a pesquisa, essa linha de base se modifica conforme o tempo. Para checar essas mudanças, eles induziram uma série de intervenções, como diferentes durações de jejum, rotinas de atividades físicas e mudanças nutricionais.

Como foi feita a pesquisa

Todas essas alterações foram testadas e monitoradas em tempo real no organismo do professor. O regime implementado foi de 20 horas de jejum por dia, com outros múltiplos jejuns de 48 horas. Treinamento cardiovascular e de força por 90 minutos pela manhã e uma dieta estruturada de vegetais folhosos, sementes, azeite de oliva, proteína magra e outros alimentos integrantes da dieta mediterrânea.

Além disso, o professor também teve suas bebidas limitadas a água, eletrólitos, café preto e chá preto sem leite e açúcar.

Para Ho, o estudo foi fundamental para entender os exames de saúde anuais, nos quais grande parte das pessoas confia. “Iniciamos este estudo para entender melhor o que acontece entre os exames anuais, para olhar além dos marcadores estáticos e focar em como o corpo funciona e muda em tempo real. Sabemos que as pessoas são diferentes umas das outras, mas também somos diferentes de nós mesmos ao longo do tempo”, destaca ele.

O professor acrescenta que cada pessoa possui seu “DELTA”, que seria uma espécie de conjunto de dados únicos e em constante evolução, refletindo que a saúde pode ser considerada mais uma história do que uma simples imagem fotográfica instantânea.

O estudo teve início em 2024 e foi publicado na revista científica PLOS One na quarta-feira (12). Para que a equipe obtivesse um rastreamento das mudanças conforme cada período, Ho utilizou três dispositivos vestíveis — Whoop, Garmin e Apple Watch.

Resultados do estudo

Como resultados, o estudo apontou que Ho apresentou melhoras na transição metabólica; teve sua idade biológica rejuvenescida em cerca de 15 anos; e melhorou a frequência cardíaca, o sono e a saúde do microbioma intestinal.

Principais resultados do estudo:

  • Melhora metabólica: para uma pessoa acima de 45 anos, a transição metabólica média dura de 36 a 72 horas, ou até mais. Em Ho, foi constatada uma transição que passou de mais de 24 horas para 16,5 horas.
  • Uso de IA: com ajuda de um copiloto de inteligência artificial (IA) personalizado, os pesquisadores estimaram que a idade biológica de Ho passou de 47 para cerca de 32 anos, rejuvenescendo quase 15 anos.
  • Melhora cardiovascular: a frequência cardíaca em repouso do professor melhorou, caindo de 65 batimentos por minuto (bpm) para 46 bpm.
  • Melhora no sono: a pesquisa identificou que houve uma melhora na arquitetura do sono, com o tempo total de sono aumentando de cerca de 5 horas para quase 8 horas.
  • Melhora da saúde intestinal: houve mudanças positivas na microbiota de Ho, sem recorrência da bactéria Fusobacterium e com conservação de energia nos períodos de jejum.

Os pesquisadores esperam que, por meio deste estudo, outras pessoas possam ser capacitadas a interagir significativamente com seus próprios dados de saúde. “Algo que lhes permita fazer mudanças no estilo de vida de forma informada, em vez de seguir rotinas genéricas ou buscar um ideal único para todos”, relatam em comunicado.

O DELTA se baseia em um cenário de longevidade no qual muitas abordagens existentes — do desenvolvimento convencional de medicamentos aos relógios biológicos — continuam a depender de medições estáticas e pontuais. Mesmo quando a IA é incorporada, esses sistemas geralmente agregam dados periódicos em vez de capturar como o corpo funciona e se adapta em tempo real.

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