Debate da Band: ACM Neto e Mansur criticam problemas do estado, e Jerônimo foge de confronto direto

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Foto: Reprodução

O debate realizado pela TV Band, neste domingo (9), com os três candidatos ao governo da Bahia foi marcado por duras críticas dos oposicionistas à situação da segurança pública e da saúde no estado, principalmente por parte de ACM Neto (União Brasil). O encontro também teve como característica a tentativa do governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), de evitar o confronto direto com o ex-prefeito de Salvador em alguns momentos.

Apesar da expectativa de que Jerônimo confrontasse seu principal adversário, ACM Neto, o petista decidiu fugir do embate direto e optou por fazer a primeira pergunta a Ronaldo Mansur (PSOL). O governador ressaltou ações de sua gestão na área da educação e questionou o adversário sobre suas propostas para o setor.

Mansur afirmou que o estado não precisa apenas ampliar o número de escolas públicas, mas também valorizar os professores. Ele criticou as contratações pelo Regime Especial de Direito Administrativo (Reda) realizadas pelo governo estadual e apontou a insegurança enfrentada pelos profissionais. “Passam todo o período do ano sem saber se o contrato (do Reda) será renovado ou não”, atacou ele.

O candidato do PSOL também se posicionou contra a aprovação automática – medida adotada no início do governo Jerônimo que permitiu que estudantes avançassem de série mesmo após reprovação em disciplinas e registro de faltas em aulas. “Nós somos totalmente contrários à aprovação automática”, ressaltou o socialista.

Questionado por Mansur sobre seu posicionamento na eleição presidencial, ACM Neto afirmou que apoia Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pelo Palácio do Planalto. O ex-prefeito lembrou que, durante a campanha eleitoral de 2022, Jerônimo declarou que resolveria os problemas da Bahia a partir da parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas afirmou que as principais pendências do estado permanecem.

Neto criticou ainda o governador por “transferir responsabilidade”. Ele recordou que, na semana passada, Jerônimo atribuiu ao presidente da República a situação precária das rodovias federais que cortam a Bahia. O petista rebateu e afirmou que não colocou a culpa em Lula pela situação das estradas. Irritado, pediu direito de resposta, mas a solicitação foi negada pelo corpo jurídico da Band.

O ex-prefeito de Salvador aproveitou o momento para criticar também o desempenho da Bahia no Ideb, divulgado na semana anterior. Os dados apontaram resultados negativos do estado no Ensino Médio e nos anos finais do Ensino Fundamental.

Na primeira oportunidade que teve de questionar Jerônimo diretamente, ACM Neto abordou dois dos principais problemas enfrentados pelo estado: a violência e a saúde. O ex-prefeito citou casos de pessoas que morreram enquanto aguardavam atendimento na fila da regulação e também vítimas da violência na Bahia.

Jerônimo defendeu o legado de sua gestão e reagiu com críticas à administração municipal de Salvador. ACM Neto, então, rebateu o governador: “Eu fui testado e aprovado. Você foi testado e reprovado”, afirmou Neto, que comandou a prefeitura de Salvador por oito anos.

Questionado pela jornalista Maria Lorena Alves sobre a situação da violência, Jerônimo voltou a afirmar que a questão é um “debate internacional” e ressaltou os investimentos realizados pelo governo estadual na área. Neto criticou a postura do governador: “Ele (Jerônimo) sempre faz isso. (Diz que) o problema é do prefeito, é de Lula, é internacional. Só não é dele. Mas, se Deus me der a oportunidade de ser governador, eu vou me envolver diretamente na solução da segurança pública no estado da Bahia”, declarou.

Jerônimo afirmou, por sua vez, que o enfrentamento à violência exige uma atuação firme do estado, mas também integração entre diferentes áreas da administração pública. “A segurança pública, que eu tenho como prioridade de vida, vai continuar sendo. Não é só com polícia. É com polícia, é com ação forte e firme”, salientou.

O jornalista Victor Pinto perguntou a ACM Neto quais eram suas propostas para o Planserv. O candidato lembrou que, quando assumiu a prefeitura de Salvador, os servidores municipais não contavam com um plano de saúde e afirmou que sua gestão resolveu a situação. Segundo Neto, o plano estadual tem se “deteriorado”.

Ele prometeu ampliar a rede de clínicas e hospitais credenciados para garantir o atendimento aos beneficiários. Neto afirmou ainda que pretende implementar, caso seja eleito, o “Pix Saúde”. Pela proposta, quando não houver vaga disponível na rede pública, o governo estadual pagará pelo atendimento na rede privada para que “as pessoas não morram na fila”.

Mansur também criticou a situação do Planserv. Afirmou que o plano precisa ser administrado com “responsabilidade” e criticou o “descredenciamento” de unidades da rede de atendimento.

Quando teve novamente a oportunidade de questionar ACM Neto, Jerônimo fugiu do confronto direto e optou, mais uma vez, por dirigir sua pergunta a Mansur, desta vez sobre meio ambiente.

No último bloco, os candidatos fizeram as considerações finais. Ronaldo Mansur abriu a rodada afirmando que se sente preparado para governar a Bahia por ser uma “pessoa do povo” e salientou aspectos de sua trajetória pessoal.

Jerônimo Rodrigues, por sua vez, afirmou que os governos de seu partido têm mantido uma gestão baseada no diálogo e ressaltou que sua administração adotou uma “forma de ouvir” a população.

Neto encerrou as considerações questionando se Jerônimo merece permanecer mais quatro anos no governo. “Quero ser governador para chamar a responsabilidade para mim. Quero ver a Bahia grande novamente”.

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