
As contas do setor público consolidado registraram um déficit nominal de R$ 1,32 trilhão nos 12 meses encerrados em junho, equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. O resultado, que considera o pagamento dos juros da dívida pública, representa um dos maiores rombos já registrados na série histórica e é acompanhado de perto por agências internacionais de classificação de risco.
No mês de junho, o setor público apresentou déficit primário de R$ 55,3 bilhões, resultado pior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 47,1 bilhões. O indicador reúne as contas do governo federal, estados, municípios e empresas estatais, sem considerar os gastos com juros da dívida.
Ao incorporar essas despesas financeiras, o déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões apenas em junho, impulsionado principalmente pelo aumento dos juros nominais, que somaram R$ 110,7 bilhões no mês.
No acumulado de 12 meses, os gastos com juros alcançaram R$ 1,16 trilhão, o equivalente a 8,8% do PIB, contribuindo para a deterioração das contas públicas.
Dívida bruta avança
Os dados do Banco Central também mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 81,9% do PIB em junho, totalizando R$ 10,8 trilhões. Trata-se do maior patamar desde o período da pandemia de Covid-19, em 2021.
Na comparação com maio, quando a dívida representava 81,1% do PIB, houve avanço de 0,8 ponto percentual. Desde o início do terceiro mandato do presidente Lula (PT), a relação entre dívida e PIB aumentou 10,2 pontos percentuais.
Segundo o Banco Central, a elevação foi influenciada principalmente pelo impacto dos juros nominais sobre a dívida, pelas emissões líquidas de títulos públicos e pela redução do PIB nominal no período.
Resultado do semestre
No primeiro semestre de 2026, o setor público acumulou déficit primário de R$ 80,2 bilhões, equivalente a 1,2% do PIB. No mesmo intervalo de 2025, havia sido registrado superávit de R$ 22 bilhões.
Considerando apenas o governo federal, o saldo negativo chegou a R$ 93,4 bilhões entre janeiro e junho, acima do déficit de R$ 12,3 bilhões observado no mesmo período do ano anterior.
O resultado ocorre apesar da meta fiscal estabelecida para 2026 prever superávit de 0,25% do PIB, com margem de tolerância que permite saldo primário igual a zero. A legislação do arcabouço fiscal também autoriza a exclusão de determinadas despesas do cálculo da meta, como parte dos gastos com precatórios, o que leva o próprio governo a projetar déficit próximo de R$ 52 bilhões ao fim do ano.



