
O programa ALive desta sexta-feira (31) abordou o despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de retirar o sigilo da decisão que autorizou, em junho, a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o senador petista Jaques Wagner (BA).
Na decisão, Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados dos celulares de Jaques, do ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, Augusto Lima, e de outros investigados nas fraudes envolvendo a instituição financeira.
De acordo com o apresentador Claudio Dantas, o magistrado se coloca, de maneira errada, em uma “posição de muita neutralidade”, como “se isso fosse ajudar a investigação”: “Eu acho que não ajuda. Inclusive, André, eu fico me perguntando por que você libera a investigação do Jaques Wagner no mesmo dia que você autoriza a investigação do Lulinha?”.
“A imprensa inteira do Pix está falando do Jaques Wagner e não está falando do Lulinha hoje”, continuou Dantas. “Por isso que eu escolhi o programa falar do Lulinha hoje, por isso que a minha manchete é o Lulinha”.
O jornalista disse que entende os “movimentos” do ministro do Supremo e que ele “está sempre com aquela cautela, sobrecautela”, mas afirmou que Mendonça acabou quebrando “a cara”: “Inclusive, com o Jorge Messias, porque o Jaques Wagner estava marcando encontro do Jorge Messias com o Augusto Lima. E aí, André, valeu a pena se queimar?”.
O advogado constitucionalista André Marsiglia concordou com a fala de Dantas sobre a “neutralidade” de Mendonça. Para ele, o magistrado faz um “jogo” de querer “ser [o] mais puro do que os puros”, mas “está cada vez mais isolado”: “E quando a gente está isolado, quando você está sozinho no meio de leões, você precisa rugir também, você precisa demonstrar força”.
Ainda de acordo com Dantas, se o Brasil tivesse uma “mídia de verdade”, a tentativa de reeleição de Lula “acabava hoje”: “Porque, assim, essas evidências aqui matam a liderança do governo [que Jaques comandava no Senado]. O Jaques Wagner tinha que ser, inclusive, afastado do mandato”.
Ao comentar o tema, o cientista político Leonardo Barreto lamentou que exista um processo de “anestesiamento político seletivo” no Brasil devido à falta de grande repercussão do caso de Jaques. Para ele, o caso do petista parece que vai ser “inocentado por excesso de provas”.
“O que eu quero trazer nesse sentido é a própria ideia de que a gente está tendo uma eleição no país. Porque se existe uma insensibilidade, um anestesiamento das instituições e da mídia para um lado da campanha, se existe uma operacionalização das instituições para dificultar a vida do outro lado, a gente tem que questionar, no fundo, aonde a gente está aqui”, destacou Barreto.
“Eu encaro isso, com indignação, claro, mas também com muita tristeza, no sentido de que são evidências de uma disfuncionalidade que coloca em risco, inclusive, a possibilidade de a gente chamar o nosso processo [eleitoral] de iniciativa democrática”, completou o cientista político.




