
Conversas entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e sua então namorada, Martha Graeff, em 7 de abril de 2025, revelam bastidores de tensão no setor bancário.
Em mensagens obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo e enviadas pela Polícia Federal (PF) à CPMI do INSS, Vorcaro compara o ambiente dos bancos a uma máfia.
“Esse negócio de banco é igual máfia”, afirmou. “Não dá para sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”. Martha reagiu com surpresa e disse: “Você nunca me falou isso”.
Durante a troca de mensagens, Vorcaro relatou estar “na adrenalina” e “ainda na guerra” ao descrever seu dia à influenciadora.
Ele mencionou que “Andre”, possível referência a André Esteves, dono do BTG Pactual, “baixou a guarda” e que os “ataques” teriam diminuído.
O empresário acrescentou: “Não sei se passou. Preciso chegar ao final. Como fiquei muito exposto, ficou muito arriscado. Mas tá caminhando pra resolver”.
BTG Pactual e negociações de bastidores
Na época das mensagens, reportagens revelavam que Esteves estaria negociando o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para minimizar riscos do Master e a possível compra, pelo BTG, de aproximadamente R$ 3 bilhões em precatórios do banco.
Essas conversas aconteceram depois de o BRB (Banco de Brasília) anunciar a compra do Master, em março de 2025, negócio que acabou sendo barrado pelo Banco Central (BC) em setembro do mesmo ano.
Vorcaro ainda afirmou à companheira que “criaram um problema que não existia” e que precisava “resolver”, recebendo dela a resposta: “Amor, eles não iam deixar você sair assim por cima. Sem tentar te bater”. Ele concordou: “Verdade”.
Negativas e bastidores do negócio
Poucos dias antes, em 4 de abril, Vorcaro relatou ter sido chamado pelo BC para ouvir uma proposta do BTG Pactual sobre o Master.
Segundo Vorcaro, Esteves teria dito a ele que “deveria agradecer a Deus pela proposta”.
No dia anterior, o BTG divulgou um comunicado ao mercado em que negou qualquer intenção de adquirir ativos ou participação no Master, depois de questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Em nota, a assessoria do banco reiterou que “nunca teve interesse na compra do negócio do Master, fazendo apenas compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez dessa instituição”.



